Entidades pedem libertação de repórter no Sudão

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) e a organização não governamental Repórteres Sem Fronteiras (RSF) pediram nesta segunda-feira (29/01) a libertação da repórter independente Amal Habbani, presa há quase duas semanas por agentes de segurança do governo do Sudão quando cobria manifestações na capital Cartum, destacou a ABI.

“O Sudão deve liberar imediatamente Amal Habbani e precisa parar de calar a mídia”, declarou Sherif Mansour, coordenador do CPJ no Oriente Médio e Norte da África, também destacando que as autoridades sudanesas têm repetidamente recorrido à força para assediar jornalistas e confiscar jornais.

Segundo o comitê, a família recebeu informações anônimas de que Amal Habbani sofreu ferimentos sob a custódia dos agentes de segurança. Ela foi detida junto com outros jornalistasentre os dias 16 e 17 de janeiro, quando trabalhavam na cobertura de protestos contra o aumento dos custos de vida. Cinco profissionais detidos foram libertados algumas horas da prisão, enquanto sete outros, incluindo correspondentes da Reuters e da AFP, foram libertados somente alguns dias depois.

“A continuidade da detenção de Amal Habani é inaceitável e exigimos sua libertação imediata”, disse Virginie Dangles, editora-chefe da RSF. “Sua prisão e as prisões de seus colegas [libertados na semana passada] eram uma violação flagrante do direito internacional e testemunhavam o desejo do governo de restringir abertamente a liberdade da mídia para cobrir protestos.”

Esta não é a primeira vez que Amal Habbani lida com o cerceamento de seu trabalho como jornalista. Por conta de seus artigos críticos ao governo repressivo do presidente Omar al-Bashir, que está no poder desde 1989, ela foi presa temporariamente em 2013 e depois banida de viajar para o exterior. No ano passado, ela foi mais uma vez detida após participar da cobertura de um julgamento considerado politicamente sensível pelas autoridades locais e só conseguiu ser libertada após arrecadar fundos, a partir de uma campanha de financiamento coletivo, para pagar a multa imposta pelo tribunal.

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Lile Corrêa

Jornalista, Radialista e Recordista Bi-Mundial incluso no Guinness Book