Vídeo mostra que repórter se identificou em cobertura de ocupação no RS

guardaRedação Portal IMPRENSA

Um vídeo divulgado pelo jornal JÁ na última quinta-feira (16/6) mostra que o repórter Matheus Chaparini se identificou como jornalista para a polícia durante a ocupação de estudantes no prédio da Secretaria Estadual da Fazenda, no centro de Porto Alegre (RS).

De acordo com a Zero Hora, as imagens e o áudio contradizem a nota divulgada pela Secretaria Estadual da Segurança (SES), em que afirma que o profissional foi detido porque agia como “militante” e que “só se identificou como jornalista quando já estava consumada a prisão pelo ato de invasão”.
A gravação, feita por Chaparini, mostra que ele registrava a ação da Brigada Militar contra os estudantes, que fez perguntas aos policiais e se identificou mais de uma vez como jornalista. Os policiais tentaram retirar os manifestantes à força, direcionando jatos de spray de pimenta.
À Zero Hora, Chaparini relatou que estava acompanhado de um cineasta de São Paulo. Eles combinaram de aguardar o último estudante ser retirado para fechar a pauta na rua. “Eles [policiais] disseram: “Vocês vão presos junto”. Eu disse: “Sou jornalista”. Ele disse: “Lá embaixo a gente conversa. Para mim, tu está igual aos outros”.
O repórter explicou que foi levado para a Delegacia de Polícia para Crianças e Adolescentes (Deca) junto com cerca de 43 estudantes. Depois, seguiram ao Palácio de Polícia para fazer o corpo de delito e retornaram ao 3ª DPPA. “Saímos algemados em um camburão da Polícia Civil. Fiquei sem relógio, mas imagino que tenha chegado entre 19h e 20h no Central. Fui preso às 12h e fui solto às 2h”.
No Presídio Central, dividiu uma cela de três por quatro com três mulheres e sete homens. “Éramos nós sete e mais dois que já estavam lá. Esse dois não tinham nada a ver com a história, eram “duque”, pelo que disseram lá, estupro. Até na cela do estuprador a gente ficou”, relatou.
“Eu nunca tinha pisado no Presídio Central. Só tinha entrado em cadeia para fazer matéria, não por fazer matéria. É triste. Quando tu sais de casa para trabalhar, tu não achas que vais estar na cadeia às 2h, por causa de uma pauta, uma pauta simples”, completou.
Ausência de apoio
Em entrevista ao portal Sul21, o editor do Jornal JÁ, Elmar Bones, reclamou da falta de assistência para jornalistas presos no exercício da profissão. Ele ponderou que durante a ditadura havia uma rede de proteção a jornalistas formada por entidades como CNBB e OAB.
“No tempo da ditadura, muitas vezes o cara ia preso e não sabia para onde estava sendo levado. Ironia que, na democracia que a gente tem hoje, apesar da precariedade, esses esquemas de proteção estão muito frágeis”, afirmou.
Bones contou que, durante a tarde, chegou a entrar em contato com a delegada da 3ª DPPA, Andréa Nicotti, para tentar obter a liberação do repórter. A delegada, porém, alegou que não poderia fazer nada, pois Chaparini já havia sido autuado.
O editor lamentou também a ausência de apoio de colegas de imprensa depois da detenção do jornalista. “Assim que a notícia chegou a esses programas de rádio, esses com palpiteiros, comentaristas, achistas de um modo de geral, vários deles levantaram a suspeita de que o repórter poderia não ser um repórter. Pô, eu tenho quarenta anos de jornalismo, estou dizendo para os caras que ele era nosso repórter e os caras estão no ar fazendo esse tipo de comentário”, criticou.
Bones informou que irá contatar a Associação Riograndense de Imprensa (Ari) e o Sindicato do Jornalistas para verificar se emitirá um pedido de retratação dos veículos que colocaram em dúvida o trabalho do repórter.

Assista ao vídeo:

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Lile Corrêa

Jornalista, Radialista e Recordista Bi-Mundial incluso no Guinness Book