100ª São Silvestre: saiba quem foi o santo e por que ele dá nome à prova

A tradicional corrida de rua de São Silvestre chega à 100ª edição nesta quarta-feira, 31 de dezembro, em São Paulo.

Antes disputada à noite, praticamente na virada do ano, passou a ser realizada à tarde e, nas últimas edições, pela manhã.

A origem foi uma corrida noturna em Paris, na França, em que os atletas usavam tochas. O jornalista Cásper Líbero assistiu no local e quis implementar no Brasil.

Largada da Corrida São Silvestre — Foto: Marcos Ribolli

Largada da Corrida São Silvestre — Foto: Marcos Ribolli

Segundo o advogado, escritor e historiador Antônio Carlos de Paula, diante dos poucos registros sobre o início da São Silvestre, em 1925, a corrida foi batizada com esse nome por justamente ser o dia do santo São Silvestre, celebrado em 31 de dezembro pela Igreja Católica.

– A única referência que tem é porque é o dia do santo. Mas, quando comecei a pesquisar, não tem muitas informações sobre as primeiras corridas. Jornalismo antigamente não dava muita bola. Saíam algumas notas, mas nada muito aprofundado. Muito registro a gente acha nas revistas que o Clube Esperia (tradicional clube social e esportivo de São Paulo) soltava sobre o esporte em geral e os atletas deles. É onde tem uma coisinha ou outra – afirmou o neto de Alfredo Gomes, primeiro vencedor da corrida.

Medalha da São Silvestre de 1983 — Foto: Arquivo pessoal

Medalha da São Silvestre de 1983 — Foto: Arquivo pessoal

Quem foi São Silvestre?

Silvestre foi o 33º papa, entre os anos 314 e 315. Assumiu o comando da Igreja Católica logo depois que o imperador Constantino decretou tolerância aos cristãos em Roma, em 313.

– Coube a ele estabelecer a organização da Igreja neste momento em que não se tinha mais a perseguição aos cristãos. Podiam celebrar os cultos sem perseguição do Império Romano. Através da organização, das leis, Silvestre passa a introduzir a religião na sociedade, enfrentando os problemas internos das heresias naquele período, mas precisava colocar ordem no cristianismo interno por conta das várias comunidades. Ele dá grandes passos em vista à organização e dinamização da vida cristã – explicou o padre Antônio Elcio de Souza, Vigário Geral e reitor do seminário da Arquidiocese de Ribeirão Preto.

Imagem de São Silvestre, santo que dá nome à tradicional corrida de rua em SP — Foto: Pascom Paróquia São Silvestre de Jacareí-SP

Imagem de São Silvestre, santo que dá nome à tradicional corrida de rua em SP — Foto: Pascom Paróquia São Silvestre de Jacareí-SP

De acordo com sacerdote, o fato de Silvestre ter o nome escolhido para batizar a corrida de rua de São Paulo está relacionado à influência positiva da cultura religiosa na sociedade brasileira. No país, são três paróquias dedicadas a São Silvestre, devoção que chegou ao Brasil por meio de italianos. Hoje, o santo é considerado, ao lado de São Sebastião, patrono dos corredores e atletas.

– Ele é o último santo da igreja a ser celebrado no último dia do ano civil. Havia uma organização para que a corrida começasse à noite e terminasse na passagem do ano novo. Em muitos lugares, principalmente no interior, a corrida terminava meia-noite, junto com a chegada do ano novo. Como se corresse para o ano novo.

– Depois, com as festas do réveillon, ela foi se adaptando. O que isso significava? Significava que a história da igreja se mistura com a história da humanidade. Há um entrelaçamento da história civil e da igreja, com as realidades social e civil e a igreja, guiada pelos seus pastores. Esse era o sinal e por isso que a corrida leva esse nome – explicou.

São Silvestre de 1975, a primeira com a participação das mulheres, ainda realizada de noite — Foto: Acervo/Gazeta Press

São Silvestre de 1975, a primeira com a participação das mulheres, ainda realizada de noite — Foto: Acervo/Gazeta Press

100ª São Silvestre

A São Silvestre é a prova de rua mais famosa do Brasil e uma das mais tradicionais do mundo. O trajeto tem 15 quilômetros pelas ruas de São Paulo, com a presença de atletas de elite e amadores.

De início, apenas homens brasileiros podiam participar, mas depois estrangeiros passaram a ser aceitos. As mulheres só começaram a correr em 1975.

Medalha comemorativa da 100ª edição da corrida internacional de São Silvestre — Foto: Divulgação/Vega Sports

Medalha comemorativa da 100ª edição da corrida internacional de São Silvestre — Foto: Divulgação/Vega Sports

Para celebrar a edição centenária, a organização prepara ações especiais e já ampliou o número de participantes. Além das 50 mil vagas abertas, a prova ganhou cinco mil vagas extras, por sorteio. A expectativa é de que a edição de 2025 tenha recorde de público.