Propostas entregue ao ministro de Fazenda Durigan prevê acesso a recursos federais para modernizar a comunicação de MS

Mato Grosso do Sul quer garantir espaço na próxima revolução da televisão brasileira. Durante visita a Campo Grande, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, recebeu uma proposta para viabilizar o acesso do Estado aos recursos destinados à implantação da TV 3.0, tecnologia que promete transformar a televisão aberta em uma plataforma integrada de comunicação, internet e serviços digitais.

O documento foi entregue pelo jornalista Bosco Martins, ex-presidente e atual conselheiro do Fórum Nacional de Emissoras Públicas e Culturais, durante encontro realizado entre compromissos da agenda do ministro com o governador Eduardo Riedel e na Secretaria Estadual de Fazenda (Sefaz).

A proposta prevê a captação de aproximadamente R$ 45 milhões para modernizar a infraestrutura da comunicação pública sul-mato-grossense e solicita orientação do governo federal para que o Estado tenha acesso às linhas de financiamento disponíveis, especialmente aos recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust).
O programa nacional de implantação da TV 3.0 já dispõe de linhas de crédito superiores a R$ 500 milhões, com possibilidade de ampliação à medida que o projeto avance em todo o País.
Mais do que uma evolução tecnológica, a TV 3.0 representa uma mudança estrutural na forma de consumir conteúdo. O novo sistema une radiodifusão e internet, permitindo transmissões em alta qualidade, interatividade e acesso a serviços públicos diretamente pela televisão, que passa a funcionar como uma plataforma digital conectada.
Mato Grosso do Sul larga na frente
O Estado já integra a primeira fase do planejamento nacional para implantação da nova tecnologia. O novo Plano de Destinação de Faixas de Frequências (PDFF), definido pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), incluiu Mato Grosso do Sul entre as unidades da Federação contempladas na etapa inicial da reorganização do espectro de radiofrequências.
Ao lado do Paraná e do Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul está entre os estados cuja ocupação inicial ocorrerá em frequências acima de 262 MHz, estratégia que busca compatibilizar a TV 3.0 com outros sistemas de telecomunicações já existentes.
Para Bosco Martins, essa condição cria uma oportunidade para que o Estado se torne referência nacional na implantação da nova tecnologia.
“A inclusão de Mato Grosso do Sul na implantação da Plataforma Comum de Comunicação Pública, que tem a TV 3.0 como uma de suas principais inovações, cria uma oportunidade para aproximar ainda mais o Estado do cidadão, como propõe o governador Riedel.”
Segundo o jornalista, a transformação tem impacto comparável à migração da televisão analógica para a digital.
“A TV 3.0 é uma revolução para a radiodifusão. Não é apenas melhorar a imagem ou trocar equipamentos. É a integração da televisão com a internet, transformando a tela em uma plataforma de serviços e conectividade.”
Prazo exige mobilização
A proposta também alerta para a necessidade de acelerar as articulações, diante do cronograma nacional de implantação.
Emissoras localizadas em municípios atendidos pelo programa Digitaliza Brasil têm até 31 de outubro de 2026 para manifestar interesse em participar do projeto de manutenção das retransmissoras de TV digital, por meio da Seja Digital.
O programa prevê monitoramento remoto, suporte técnico, manutenção preventiva e corretiva das estações retransmissoras, além do compromisso das emissoras de manterem os equipamentos em funcionamento nos anos seguintes.
Para as emissoras públicas, entretanto, o maior desafio continua sendo o financiamento. Diferentemente de parte das empresas privadas, que podem investir com recursos próprios, as TVs públicas dependem de linhas específicas de crédito e do apoio do poder público para acompanhar a modernização tecnológica.
Grupo de Trabalho
Entre as sugestões apresentadas ao ministro está a criação de um Grupo de Trabalho estadual para coordenar a implantação da TV 3.0 em Mato Grosso do Sul, reunindo representantes do governo, emissoras públicas e privadas, entidades do setor e órgãos técnicos.
A iniciativa busca garantir que o Estado acompanhe o cronograma nacional e esteja entre os primeiros do País preparados para a nova geração da televisão aberta, que promete ampliar a oferta de informação, serviços públicos e conectividade para milhões de brasileiros.


