“A virulência desse ataque só reforçou a importância do que foi dito”, diz Boff

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Paraninfo da turma de jornalismo da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), em São Leopoldo (RS), Felipe Boff precisou deixar a cerimônia escoltado por seguranças após seu discurso contra os ataques feitos pelo presidente Jair Bolsonaro à imprensa ter sido abafado por vaias e agressões verbais vindas da plateia.

Crédito:Reprodução Jornal A Cidade
“Hoje à noite, algumas pessoas pouco afeitas à liberdade de expressão e à democracia tentaram, aos gritos, me impedir de prosseguir com meu discurso de paraninfo na formatura da turma de Jornalismo da Unisinos. A virulência desse ataque – que fez até a instituição colocar seguranças para me acompanharem na saída do auditório – só reforçou a importância do que foi dito”, escreveu Boff em sua página no Facebook.

No discurso, Boff disse que a imprensa vive seus dias mais difíceis desde a ditadura militar, quando jornalistas foram censurados, perseguidos, presos, torturados e até assassinados, como Vladimir Herzog. “Hoje, somos insultados nas redes e nas ruas; perseguidos por milícias virtuais e reais; cerceados e desrespeitados por autoridades que se sentem desobrigadas de prestar contas à sociedade”, disse.

Segundo ele, quando vieram as primeiras vaias e gritos mais fortes, os formandos se levantaram e começaram a aplaudi-lo. “Junto com os professores, que se levantaram e se colocaram ao meu lado no púlpito, e com os favoráveis ao discurso (a maioria, quero crer), eles garantiram que eu pudesse seguir até o fim”, disse em entrevista ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (Sindjors).

A coordenação do curso emitiu declaração de apoio e solidariedade ao jornalista e professor. “A fala foi corajosa e necessária, principalmente na ocasião em que jovens colegas chegam ao mercado de trabalho, Felipe, embasado em dados e exemplos, alertava para o que deveria ser óbvio: o presidente da República vem constantemente ofendendo e destratando jornalistas”, diz a nota.

O Sindjors, em conjunto com a Federação Nacional dos Jornalistas (Femaj), emitiu uma nota em apoio ao jornalista.

“O Sindjors e a FENAJ repudiam toda e qualquer forma de ataque à liberdade de expressão e de pensamento, ainda mais dentro de uma instituição de ensino. A ação ocorrida na Unisinos representa uma intimidação à atividade profissional e é condenável”, diz a nota.