ABI, Fenaj, Abraji e líderes da oposição pedem esforço conjunto em apoio aos jornalistas

abi-fenaj-abraji-e-lderes-da-oposio-pedem-esforo-conjunto-em-apoio-aos-jornalistas
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on email
Share on telegram
Share on print
Share on whatsapp

ABI, Fenaj, Abraji e líderes da oposição pedem esforço conjunto em apoio aos jornalistas

Foto: Marcello Casal Jr. / Agência Brasil

Jornalistas, lideranças de oposição do Congresso Nacional, Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e Federação Brasileira de Jornalistas (Fenaj) promoveram, nesta quarta-feira (03.jun.2020), um ato em repúdio aos ataques contra a imprensa e as instituições democráticas proferidos pelo governo federal.

Por meio de uma videoconferência, representantes dos jornalistas e políticos de vários partidos reafirmaram que a imprensa é a essencialidade da democracia brasileira. O ato “Imprensa livre, democracia forte” foi uma reação ao aumento das agressões físicas e verbais contra a imprensa e aos movimentos inconstitucionais que pedem o fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF).

encontro virtual teve início com a exibição de um vídeo que compilou as falas ofensivas do presidente Jair Bolsonaro contra repórteres e empresas de mídia e também a ordem do general Newton Cruz durante a Ditadura Militar para um jornalista ‘calar a boca’. O vídeo também registrou o ato covarde sofrido pelo repórter cinematográfico Robson Panzera, da TV Integração, em Minas Gerais, que teve um dedo quebrado por um empresário.

Paulo Jerónimo de Sousa, representando a Associação Brasileira de Imprensa, lembrou que a ABI participou ativamente de importantes momentos da história do país, foi alvo de um atentado a bomba durante a ditadura, e que foi na entidade que nasceu o movimento Diretas Já, que culminou no fim do regime militar. Pagê, como é conhecido, apresentou os três motivos justificados pela ABI para que o presidente seja submetido a processo de responsabilidade pelo Congresso Nacional.

“O presidente Jair Bolsonaro é o maior obstáculo concreto para o enfrentamento da pandemia no Brasil; ameaça reiteradamente as instituições democráticas do estado e da sociedade civil e tem demonstrado cotidianamente sua incapacidade para exercer condignamente e com competência a presidência da República”, listou.

Marcelo Träsel, presidente da Abraji, afirmou que “nunca, desde a redemocratização, o país esteve sob tanto risco para a democracia no Brasil”. E que os sinais recentes de degradação autoritária na democracia brasileira se refletem numa perseguição, em primeiro lugar, aos jornalistas, já que é papel da imprensa denunciar e tentar impedir o uso oportunista do Estado para fins antidemocráticos.

“As agressões físicas das quais os jornalistas têm sido alvo enquanto cumprem a sua função social são inaceitáveis numa democracia. E cabe ressaltar que, em momento algum, o presidente da República condenou-as. O assédio contra  jornalistas também é inaceitável em uma democracia. O discurso injurioso e estigmatizante que o presidente, seus ministros e outros membros do alto escalão do governo costumam propalar diariamente é inaceitável numa democracia”, disse.

Träsel reafirmou o que já vem alertando com o agravamento desses ataques. “Ao não condenar essas atitudes por parte de sua militância e, pelo contrário, reiterar o discurso hostil contra a imprensa, o presidente Jair Bolsonaro se torna corresponsável pelas agressões, pelo assédio e pelo clima de intimidação sobre o qual os repórteres trabalham hoje em dia no Brasil. Nenhum cidadão comprometido pode tolerar esses ataques a jornalistas. Mas a autoridade máxima da República deveria ser a primeira a defender a liberdade de imprensa”, conclui.

O depoimento de Cristina Serra, uma das repórteres mais experientes em questões ambientais e colunista do jornal Folha de S. Paulo, também sinalizou a gravidade do momento atual, ao repetir as palavras do deputado federal Ulysses Guimarães, em 1988, durante a promulgação da Constituição.

“Ulysses Guimarães nos disse que tínhamos ódio e nojo da ditadura. Que esse comando que ele nos deu há 32 anos nos mova e unifique nessa longa jornada que temos pela frente. Todas as gerações estão sendo chamadas neste momento, todos nós – os veteranos e os mais jovens – temos que, mais uma vez, ir para a linha de frente em defesa da democracia, colocar nosso tijolo nessa construção permanente”, disse.

A presidente da Fenaj, Maria José Braga, concordou que a democracia brasileira está fragilizada e citou números expressivos do aumento da violência contra jornalistas. O crescimento foi de 54% entre 2018 e 2019. Ainda segundo a Fenaj, nos primeiros quatro meses de 2020, Jair Bolsonaro desferiu 179 ataques à imprensa e a jornalistas.

“De fato, há uma quebra de decoro presidencial, um desrespeito à liturgia do cargo e a essa instituição que é diversa e plural, que tem vários CNPJs, mas que nós chamamos de imprensa, e tem o papel fundamental de produzir e difundir informação veraz para a população brasileira”, opinou Braga.

Os jornalistas Cristiane Sampaio, do Brasil de Fato, Tales Faria, do UOL, e Edson Sardinha, do Congresso em Foco, também participaram do ato e reforçaram o quanto é preciso não naturalizar esses ataques. “É um momento em que nós não podemos nos calar, e a história julgará se nos omitirmos”, opinou Sardinha.

Oposição unida

Congressistas pediram união de políticos e da sociedade civil em defesa das liberdades de expressão e de imprensa. “Todas essas agressões são reflexo da postura completamente irresponsável do presidente da República. Seremos vozes incansáveis de uma imprensa livre e de um Brasil democrático”, avisou o líder da oposição na Câmara dos Deputados, André Figueiredo (PDT-CE).

Na visão do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), a perseguição aos jornalistas é um dos sinais de instalação de um regime autoritário. “Não se tem conhecimento, a não ser nos períodos de exceção, de a imprensa ter sido tão agredida”.

Alexandre Molon (PSB-RJ) e Fernanda Melchionna (PSOL-RS) se solidarizaram com os jornalistas Patricia Campos Mello, da Folha de S.Paulo, e Vera Magalhães e Dida Sampaio, do Estadão. “A liberdade de imprensa está para a democracia como o alimento está para o corpo”, declarou Molon. “Enfrentamos dois vírus: o coronavírus, que já vitimou mais de 31 mil pessoas durante a pandemia, e o vírus do autoritarismo, que ronda as liberdades democráticas”, disse a líder do PSOL na Câmara dos Deputados.