Abraji intensifica campanha contra bloqueio de jornalistas por autoridades no Twitter

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Redação Portal IMPRENSA
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) atualizou nesta quinta (22) sua lista de jornalistas bloqueados por autoridades públicas no Twitter. O monitoramento começou a ser feito em setembro último e já contabiliza 196 bloqueios aos perfis do presidente da República, de ministros, deputados, governadores e outras autoridades.
Os motivos dos bloqueios incluem contestações a informações falsas e a marcação do perfil da autoridade no compartilhamento de uma reportagem. O presidente Jair Bolsonaro continua sendo a autoridade que mais bloqueou jornalistas, com 54 casos.
A Abraji coletou o depoimento de seis jornalistas bloqueados. Rodrigo Carvalho, correspondente da Globo em Londres, explicou que foi bloqueado pois, em dezembro, perguntou a Jair Bolsonaro, via Twitter, quando os brasileiros seriam vacinados.
Crédito: Reprodução Olhar Digital

Tai Nalon, diretora da agência de checagem Aos Fatos, lembrou que “bloquear conta é um recurso oferecido a usuários comuns que sofrem assédio” e que “políticos estão nas redes para prestar contas, o que é muito diferente do papel de um usuário comum”.

Já Leandro Gouveia, jornalista na CBN, contou que foi bloqueado em outubro de 2019 pela deputada Bia Kicis (PSL-DF), após contestar o compartilhamento de um vídeo falso que relacionava as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) ao ex-presidente Lula.
Por sua vez, Stefano Wrobleski, jornalista da InfoAmazonia, foi bloqueado pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça, Og Fernandes, após tê-lo marcado em um tweet com link para uma matéria que contava como ele foi beneficiado por uma reinterpretação da lei que permitiu regularizar uma ave de sua esposa, que o Ibama pedia para ser apreendida.
Nayara Felizardo, jornalista no The Intercept Brasil, contou que foi bloqueada pelo perfil do presidente Jair Bolsonaro no Twitter logo no início do seu governo, quando ele fez o mesmo com vários profissionais.
Não são apenas políticos de direita que bloqueiam jornalistas em redes sociais. Yuri Almeida, jornalista no portal maranhense Atual 7, contou que foi bloqueado pelo governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB-MA), e pelos secretários estaduais Ricardo Cappelli (Comunicação), Rodrigo Lago (Agricultura Familiar) e Carlos Lula (Saúde).
No dia 12 de abril a Abraji e o site Congresso em Foco lançaram a campanha Bolos AntiBlock, inspirada nas receitas de bolo publicadas nos jornais censurados pela ditadura militar.