Abraji questiona abertura de inquérito para investigar jornalista do Intercept Brasil

Share on facebook
Share on whatsapp
Share on twitter
Share on email
Share on print


Nesta terça-feira (08.jun.2021), o The Intercept Brasil tornou público que o editor-executivo do site, Leandro Demori, é alvo de um inquérito policial por ter divulgado informações sobre a suposta existência de um grupo de extermínio na Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil do Rio de Janeiro.

Demori, um dos jornalistas investigativos mais reconhecidos do país, foi intimado a prestar depoimento na Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) do Rio, na próxima quinta-feira (10.jun.2021).

A DRCI é comandada por Pablo Dacosta Sartori, o mesmo delegado que intimou o youtuber Felipe Neto por supostamente violar a Lei de Segurança Nacional ao chamar o presidente Jair Bolsonaro de genocida. Sartori também atuou como agente e escrivão em outra intimação, a que determinava o depoimento da dupla de apresentadores do Jornal Nacional, William Bonner e Renata Vasconcellos, por suposto crime de desobediência a decisão judicial.

Desta vez, Sartori solicitou à delegada Daniela dos Santos Rebelo Pinto a abertura de um inquérito contra Demori por calúnia. O próprio Sartori é testemunha do caso.

A newsletter divulgada pelo Intercept em 08.mai.2021 pergunta: “A Polícia Civil do Rio mantém um grupo de assassinos?”. A reportagem foi publicada dois dias depois da mais letal operação das forças de segurança da história do Rio de Janeiro, que resultou na morte de 28 pessoas, incluindo um policial, na comunidade do Jacarezinho. Demori lembrou que ações anteriores da Core também tiveram um número expressivo de mortos.

A Abraji considera a intimação a Leandro Demori uma tentativa de cercear o trabalho da imprensa. Empoderadas pelos ataques desferidos pelo presidente da República e outras autoridades públicas à imprensa e aos jornalistas, as forças policiais se sentem respaldadas para convocar jornalistas a dar explicações como forma de intimidar seu trabalho de informar a população sobre assuntos de interesse público. Apelam de forma rápida para o ataque imediato ao mensageiro, em vez de apurar as graves denúncias e prestar contas à sociedade.

Diretoria da Abraji, 08 de junho de 2022.