Ação colaborativa une veículos para evitar apagão de dados sobre pandemia

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Ação colaborativa une veículos para evitar apagão de dados sobre pandemia

Os maiores jornais e portais de notícias do país (O Globo, Extra, O Estado de São Paulo, Folha de São Paulo, G1 e UOL) formaram um consórcio inédito para apurar e divulgar, de forma coletiva, informações sobre a evolução da pandemia do novo coronavírus. A iniciativa, segundo as empresas, é “uma resposta à decisão do governo Jair Bolsonaro de restringir o acesso a dados sobre a pandemia de covid-19”.

Nos últimos dias, o Ministério da Saúde vem mudando o acesso ao painel de dados sobre a evolução. O portal chegou a sair do ar por um dia e voltou destacando apenas informações sobre casos e mortes nas últimas 24 horas, deixando de informar o número acumulado de óbitos e casos. O governo federal também pretende recontar o número de óbitos, acusando secretarias estaduais de fornecerem números errados, mas sem apresentar provas. A Abraji, a Associação Brasileira de Imprensa e a Federação Nacional dos Jornalistas condenaram a tentativa de quebrar esses mecanismos de transparência.

Para o presidente da Abraji, Marcelo Träsel, “Jair Bolsonaro vem adotando medidas que contrariam a Constituição Federal, a Lei de Acesso à Informação e as boas práticas de transparência pública com o objetivo de retaliar a cobertura jornalística sobre os erros de seu governo no combate à pandemia de covid-19”.

Träsel afirma que ocultar o número de mortos é a mais nova ocorrência do presidente da República em atacar o mensageiro para não prestar contas ao povo brasileiro. “A união de toda imprensa é fundamental neste momento de degradação da democracia”, avalia.

Segundo reportagem publicada simultaneamente pelos veículos, “as equipes de todas as empresas vão dividir tarefas e compartilhar as informações obtidas para que os brasileiros possam saber como está a evolução e o total de óbitos provocados pela covid-19, além dos números consolidados de casos testados e com resultado positivo para o novo coronavírus. O balanço diário será fechado às 20h”.

No texto publicado nesta segunda-feira, dia 08.jun.2020, os jornais lembraram vários itens que deixaram de ser publicados pelo Ministério da Saúde, como curva de casos novos e mortes por data de notificação e por semana epidemiológica. A parceria prevê a coleta de números diretamente nas secretarias estaduais de Saúde.

“Esse consórcio é importante tanto do ponto de vista prático, como do simbólico. Significa que o jornalismo deixa de lado a competição quando o que está em jogo é o interesse público”, avalia Daniel Bramatti, editor do Estadão Dados, núcleo de jornalismo de dados do jornal O Estado de S.Paulo, e integrante do Conselho Curador da Abraji.

Ainda sobre a nova cooperação, a assessoria de imprensa do Grupo Globo enviou à Abraji a mesma declaração publicada nos jornais: “A missão do jornalismo é informar. Em que pese a disputa natural entre veículos, o momento de pandemia exige um esforço para que os brasileiros tenham o número mais correto de infectados e óbitos”, afirmou Ali Kamel, diretor-geral de Jornalismo da Globo (TV Globo, GloboNews e G1). “Face à postura do Ministério da Saúde, a união dos veículos de imprensa tem esse objetivo: dar aos brasileiros um número fiel.”

Marina Atoji, gerente de projetos da Transparência Brasil e uma das maiores especialistas de Lei de Acesso à Informação (LAI), faz uma avaliação do grave contexto atual: “Como se não bastasse ser uma violação a pelo menos três leis do país – a Constituição, a Lei de Acesso à Informação e a lei que decretou o estado de emergência em saúde pública -, o apagão de dados coloca em risco a saúde e a vida da sociedade. Sem informações qualificadas e disponíveis a todos, não há como saber o tamanho da pandemia, planejar ações para contê-la ou avaliar se essas ações estão ou não adequadas.

Na opinião de Marcos Paulo Silva, presidente da Sociedade Brasileira de Pesquisadores de Jornalismo, “essa ação ´mostra uma sinergia que tem como pano de fundo uma ação política coletiva dos meios de comunicação, considerando a conotação mais ampla do termo político, em defesa da deontologia da profissão e dos estatutos históricos do jornalismo que estão sendo muito questionados por um projeto político de poder”.

Acompanhe levantamentos paralelos

O coordenador de projetos da Abraji, Reinaldo Chaves, listou instituições e ativistas que fazem monitoramento dos casos de forma séria e com metodologia explicada. Veja algumas iniciativas que chegaram ao conhecimento da Abraji:.

– O Icict é a unidade da Fiocruz responsável por desenvolver estratégias e executar ações de informação e comunicação em saúde;.

– O Brasil.IO, reunindo 40 voluntários, apresenta o total de casos confirmados/óbitos por estado e atualiza por município;

– A jornalista Fabiana Cambricoli criou uma planilha de acesso público com os links das 27 páginas/painéis onde os dados estaduais estão sendo divulgados diariamente.

– Monitor da covid-19 no Brasil criado pelo ativista e programador Fábio Rehm;

– Observatório Covid-19 BR, iniciativa criada por um grupo de pesquisadores;

–  O jornalista Marcelo Soares monitora e estuda os dados;

–  Os sites da Transparência Internacional e da Open Knowledge Brasil fazem avaliação constante sobre os portais de 26 governos estaduais, do Distrito Federal e de 26 capitais que trazem informações sobre contratações emergenciais de forma fácil e ágil.

– Jornalistas independentes de Minas Gerais estão fazendo uma campanha na internet para financiar o projeto para salvar dados de Coronavirus-MG.com.br.