As homenagens a dom Paulo Evaristo Arns, o cardeal da esperança

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As homenagens a dom Paulo Evaristo Arns, o cardeal da esperança

Por Ricardo Carvalho, diretor da ABI em São Paulo

Brasil, Tortura Nunca Mais, com prefácio de dom Evaristo

Em 1º de novembro, um domingo, será celebrada uma data histórica da resistência democrática no Brasil: os 50 anos da   posse de dom Paulo Evaristo Arns como arcebispo de São Paulo.

A ABI, a Comissão Arns, a Comissão Justiça e Paz e o Instituto Vladimir Herzog, quatro  entidades com vínculos históricos com dom Paulo, se unem a outras entidades para as homenagens que serão prestadas ao cardeal dos Direitos Humanos, como ele era também carinhosamente chamado e reconhecido.

Em 1970, dom Evaristo é fichado no DOPS

Como a marca do que seria sua atuação ao longo dos 28 anos como arcebispo em defesa dos oprimidos da cidade grande e perseguidos pelo regime militar, dom Paulo foi fichado no DOPS paulista em 9 de novembro de 1970, 8 dias depois da sua posse como arcebispo.

Ele se tornou uma espécie de para-raio ao atrair para a Cúria refugiados políticos de todo o continente. A Acnur – agência da ONU que cuida de refugiados – chegou a ter um escritório no prédio da própria Cúria, onde funcionavam também a Comissão Justiça e Paz, a Comissão de Direitos Humanos e a redação de “O São Paulo”, jornal que ficou censurado por 10 anos.

A luta contra a tortura foi uma das marcas mais fortes do seu tempo. Sob a coordenação do pastor presbiteriano Jaime Wright, dom Paulo consegui a publicação do livro Brasil Nunca Mais que teve a versão em inglês com o título “Torture in Brazil”. O livro foi escrito, em absoluto segredo, pelo frei Betto e pelo jornalista Ricardo Kotscho.

Dom Paulo soube das barbaridades que eram cometidas no Doi-Codi paulista, porque soldados católicos que trabalhavam no Doi o procuravam para relatar as torturas.

Ele sempre gostou de mostrar a sua carteirinha de associado da ABI desde a década de 1970. É o patrono da Comissão Arns, criou a Comissão Justiça e Paz e chegou a dar sugestões para a missão do Instituto Vladimir Herzog, em visita que Clarice Herzog e seu filho Ivo fizeram ao cardeal em 2010.

Quando da sua morte, em 14 de dezembro de 2016, chargistas de todo o Brasil, como Paulo Caruso, organizaram uma exposição virtual em homenagem a ele.