Bolsonaro insinua que agressores de fotógrafo do Estadão eram infiltrados

dida 1
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on email
Share on telegram
Share on print
Share on whatsapp

Bolsonaro insinua que agressores de fotógrafo do Estadão eram infiltrados

Um dia depois de a equipe do Estadão ter sido agredida fazendo a cobertura dos atos a favor da intervenção militar no país e do fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente Jair Bolsonaro insinuou que os agressores eram “possíveis infiltrados”. Bolsonaro também criticou o destaque dado pela Rede Globo ao ocorrido.

Crédito:Ueslei Marcelino/Reuters
“A TV Globo no Fantástico de ontem se dedicou a ataques ao Presidente Jair Bolsonaro, pelo fato de um fotógrafo do Jornal O Estado de SP ter sido agredido por alguns possíveis infiltrados na pacífica manifestação”, tuitou Bolsonaro.

O repórter fotográfico Dida Sampaio, do Estadão, e o motorista do jornal, Marcos Pereira, foram agredidos por apoiadores de Bolsonaro, enquanto registravam o ato.

Dida foi derrubado por duas vezes e chutado pelas costas, além de tomar um soco no estômago. Nivaldo Carboni, repórter do site Poder 360, também foi agredido pelos manifestantes.

O repórter fotográfico Orlando Brito, do site Os Divergentes, e o repórter Fabio Pupo, do jornal Folha de S.Paulo, foram empurrados ao tentar ajudar Dida Sampaio.

“Trata-se de uma agressão covarde contra o jornal, a imprensa e a democracia. A violência, mesmo vinda da copa e dos porões do poder, nunca nos intimidou. Apenas nos incentiva a prosseguir com as denúncias dos atos de um governo que, eleito em processo democrático, menos de um ano e meio depois dá todos os sinais de que se desvia para o arbítrio e a violência”, disse o Estadão em nota.

O jornal pede que a apuração penal e civil das agressões seja conduzida por agentes públicos independentes, não vinculados às autoridades federais.

A pressão dos manifestantes fez com que os profissionais da imprensa fossem retirados do local por uma viatura da Polícia Militar do Distrito Federal.

Ocorridas em pleno Dia Mundial de Liberdade de Imprensa, as  agressões foram classificadas como uma “ofensa à Constituição, à democracia e à cidadania brasileira” pela ministra do STF Cármen Lúcia.

Para o também ministro do STF Gilmar Mendes, “a agressão a jornalistas é uma agressão à liberdade de expressão e uma agressão à própria democracia”.

Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, lembrou das agressões sofridas por enfermeiros por apoiadores do presidente na semana passada. “Cabe às instituições democráticas impor a ordem legal a esse grupo que confunde fazer política com tocar o terror”, escreveu.
A ANJ (Associação Nacional de Jornais) repudiou, em nota, as agressões sofridas pelos profissionais. “Além de atentarem de maneira covarde contra a integridade física daqueles que exerciam sua atividade profissional, os agressores atacaram frontalmente a própria liberdade de imprensa. Atentar contra o livre exercício da atividade jornalística é ferir também o direito dos cidadãos de serem livremente informados”, disse.
Para a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), as agressões são incentivadas pelo comportamento e pelo discurso do presidente Jair Bolsonaro. “Seus ataques aos meios de comunicação, teorias conspiratórias e comportamento ofensivo fomentam um clima de hostilidade à imprensa”, diz em comunicado.

“Esses atos violentos são mais graves porque não há, de parte do presidente ou de autoridades do governo, qualquer condenação a eles. Pelo contrário, é o próprio presidente e seus ministros que incitam as agressões contra a imprensa e seus profissionais” disse a ABI (Associação Brasileira de Imprensa), em comunicado.