Brasil lidera ranking de desconfiança de notícias na internet, revela Instituto Reuters

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O Instituto Reuters, da Universidade de Oxford, divulgou nesta terça (16) a edição 2020 de sua pesquisa anual Digital News Report.
Feito em 40 países, o levantamento aponta que, mesmo antes da crise do coronavírus, mais da metades dos participantes se disse preocupada com notícias falsas na internet.

O estudo também revelou que o Brasil lidera o ranking dos países mais preocupados com notícias falsas, seguido por Quênia e África do Sul.
No material de divulgação da pesquisa, o Instituto Reuters observa que nesses três países há alto uso de mídias sociais e instituições mais fracas.
Crédito:Reprodução

Políticos aparecem como a fonte de desinformação mais citada na pesquisa.

Mas nos Estados Unidos e em outros países, pessoas de direita demonstraram maior probabilidade de culpar a imprensa e os jornalistas profissionais pelo fenômeno da desinformação.
Os níveis mais baixos de preocupação com notícias falsas na internet estão em países europeus como Holanda, Alemanha e Dinamarca.
O estudo também mostrou que, puxadas pelos smartphones, as mídias sociais ultrapassaram pela primeira vez a televisão em consumo de notícias.
Crise
Sobre os impactos da pandemia na imprensa, o relatório afirma que um “negócio difícil” se transformou em uma “crise total”.
“As notícias locais e regionais estão sob pressão há anos”, diz o estudo, acrescentando que “a pandemia agora está afetando seriamente as receitas remanescentes, levando muitas empresas a cortar pessoal, interromper a impressão ou a serem forçadas a liquidar”.
O número de leitores impressos caiu pela metade desde 2013 e o impacto do coronavírus no setor será forte, diz o estudo.
Por outro lado, prossegue o relatório, a crise vem mostrando o “quanto as notícias locais ainda importam”, já que a propagação do vírus e a atuação governamental mudam de uma área para outra.
Mesmo antes da COVID-19, 47% dos participantes estava muito ou extremamente interessada em notícias locais.
No Brasil o índice chega a 73%, a 62% na Espanha e a 54% na Alemanha.
Já pessoas que vivem em países com “sistemas mais centralizados” demonstram menos interesse por notícias locais.
O Facebook aparece no trabalho como o principal canal de disseminação de informações falsas, papel mais fortemente desempenhado pelo WhatsApp em países como Brasil e Malásia.
Ainda segundo a pesquisa, as emissoras públicas despontam como categoria de veiculo de comunicação que mais perdeu apoio e credibilidade.