China usou pandemia para aumentar controle sobre jornalistas estrangeiros, diz relatório

Share on facebook
Share on whatsapp
Share on twitter
Share on email
Share on print
Divulgada nesta segunda (1), a atual edição do relatório anual do Clube de Correspondentes Estrangeiros na China (FCCC, na sigla em inglês) ganhou repercussão na mídia internacional ao indicar uma “considerável deterioração” na situação da imprensa estrangeira na China em 2020.
O estudo foi realizado entre dezembro de 2020 e janeiro de 2021. Estima-se que um terço dos correspondentes estrangeiros presentes na China, ou cerca de 150 jornalistas, responderam o questionário. O FCCC conta com 220 associados.
De acordo com o levantamento, houve 18 expulsões de jornalistas estrangeiros no país no ano passado, incluindo profissionais que trabalhavam para os veículos New York Times, Wall Street Journal, Washington Post, BBC e Le Monde.
Crédito: Reprodução Facebook/FCCC

O trabalho também constatou diminuição na concessão de vistos para profissionais de imprensa, aumento das pressões políticas exercidas por autoridades locais, perseguição judicial e diferentes tipos de restrições ao trabalho dos correspondentes, grande parte decretada “em nome do combate à covid-19”.

Ainda de acordo com a pesquisa, nenhum correspondente declarou que suas condições de trabalho melhoraram.
Retaliação
As saídas forçadas de correspondentes americanos da China foram uma retaliação a atitude semelhante tomada dias antes pelos Estados Unidos: no ano passado o governo do então presidente Donald Trump expulsou dezenas de correspondentes chineses do solo americano.
No caso do banimento de jornalistas americanos da China, o FCCC classificou o episódio como a “maior expulsão de jornalistas estrangeiros desde a época do massacre da Praça da Paz Celestial, há mais de 30 anos”.
Além de expulsar jornalistas de veículos americanos e europeus, os chineses reduziram a validade da credencial de pelo menos 13 correspondentes, do período usual de um ano para seis meses.
O número de casos relatados de jornalistas vítimas de intimidações subiu 44% em 2020. Haze Fan, da agência Bloomberg News, está detida desde dezembro por acusação de “ameaças à segurança nacional”.
Para o FCC, a China usou a pandemia para aumentar ainda mais seu controle sobre os jornalistas, chegando a ameaçar correspondentes a quarentena forçada ou à realização de testes de detecção do novo coronavírus não consentidos.
O relatório destaca ainda que, ao contrário dos jornalistas, outras profissões não foram sujeitas pelo governo comunista a regime especial de concessão de vistos de trabalho.