Classificação de pandemia aumenta desafios na cobertura do coronavírus

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Redação Portal IMPRENSA*
O anúncio feito nesta quarta (11) pela Organização Mundial de Saúde, que passou a classificar a disseminação do coronavírus como pandemia global, aumentou a discussão sobre os enormes desafios que a cobertura dessa história impõe à imprensa.
De um lado há a questão do risco de contaminação enfrentado pelos jornalistas que vão a campo levantar informações sobre o problema.
Esse risco levou o Comitê de Proteção a Jornalistas (CPJ), que é baseado em Nova Iorque, a elaborar um guia de segurança para profissionais da imprensa que estão cobrindo o tema.
Crédito:Reprodução / The Conversation.com

A lista de recomendações é extensa e começa  por aconselhar jornalistas que integram grupos de risco (pessoas com mais de 60 anos e portadores de doenças crônicas) a não se envolver diretamente na cobertura.

Por sua vez, a Rede Global de Jornalistas Investigativos (GIJN, na sigla em Inglês) divulgou ontem um amplo guia com fontes, dados e dicas para facilitar a cobertura do tema.
A cobertura do coronavírus também tem levantado um debate sobre ética e catastrofismo na imprensa.
Não têm sido poucas as críticas à imprensa e nem as iniciativas para evitar a geração de pânico na cobertura do tema.
Nos EUA, a Radio Television Digital News Association (RTDNA), por exemplo, criou a hashtag #FactsNotFear (fatos, não medo) e tem agradecido os jornalistas que cobrem a disseminação do coronavírus sem “aterrorizar” a população.
Em artigo publicado nesta quarta, no site theconversation.com, Denis Muller, pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Jornalismo da Universidade Melbourne, observa que os jornalistas que cobrem o tema enfrentam um conflito entre duas obrigações éticas da profissão: narrar os fatos e não gerar “ansiedade pública injustificável”.
Não se discute que, com rapidez estimulada pela conectividade global, a propagação da COVID-19 (doença causada pelo coronavírus) tem potencial para gerar ansiedade pública sem depender da mídia.
Porém, defende Muller, parte da cobertura jornalística do problema estaria acrescentando ansiedade a esse quadro de forma “eticamente injustificável”.
Exemplo dessa prática, cita Muller recorrendo à imprensa australiana, seriam reportagens sobre teorias da conspiração malucas e até sobre brigas por papel higiênico nas prateleiras dos supermercados.
Para não ultrapassar as fronteiras da ética jornalística na cobertura da pandemia, Muller defende que a imprensa deve priorizar o interesse público em detrimento de pautas mais focadas no entretenimento.