Como fazer jornalismo na era dos influenciadores digitais

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Os palestrantes Márcio Gonçalves, Claudia Belém, a mediadora Rosayne Macedo e o youtuber Felipe Neto

Como trabalhar na indústria da comunicação na era dos influenciadores digitais foi o foco do 19º Encontro Reinventar JornalistasRJ, nessa quinta-feira (29), no auditório da Associação Brasileira de Imprensa, no Centro do Rio.

Para uma plateia de cerca de 120 pessoas e com o tema “Como comunicar na era dos influenciadores digitais”, o evento contou com Claudia Belém, diretora da Febre, agência de comunicação especializada em cultura, o professor Marcio Gonçalves, doutor em Ciência da Informação, professor universitário de cursos de graduação e de pós-graduação e líder do projeto Aula Sem Paredes, e Felipe Neto, empresário, vlogger, ator, comediante e escritor brasileiro. É conhecido por ser um dos maiores youtubers brasileiros em termos de números de inscritos.

A mediação ficou por conta dos jornalistas Altamir Tojal e Rosayne Macedo, mediadora do grupo JornalistasRJ.

Marcio Gonçalves abriu o evento destacando  a necessidade de os profissionais de imprensa terem presença digital e fazer um gerenciamento inteligente das redes sociais. “Todos temos conteúdo. Uma história para contar, todos construímos algo. A grande mídia não cobre, por exemplo, eventos técnicos como esse. Então o que eu faço com isso? Divulgo no meu twitter, no meu Facebook. Precisamos estudar nosso perfil e buscar parcerias e nichos”, observou o professor. Ele citou uma experiência de postagem de momentos dentro de elevadores, que foi uma iniciativa inédita e interessante porque entrevistou inclusive a vizinha que não dava bom dia a ele.

Márcio ainda lembrou que, para se manter nesse mercado, o profissional deve ler, estudar e ter autonomia digital: dominar as técnicas das ferramentas para editar e postar as imagens: “Temos que parar de dizer que quem sabe mexer no celular são os nossos filhos. E aprender a usar as ferramentas das plataformas além do WhatsApp. Todos temos a tecnologia ao alcance das mãos, basta saber usar”.

O jornalista e professor Márcio Gonçalves

A jornalista Claudia Belém, que trabalhou no O Globo e é empreendedora há bastante tempo, mostrou através de dados estatísticos, que o jornalismo está “vivo” e que os brasileiros consomem informação de novas formas. A realidade digital, segundo ela, está chamando para mudanças. “40% das pessoas consomem informações diretamente nos portais informativos ou através dos temas no Google e 56% no Facebook. Precisamos pegar toda nossa experiência de mídia e nos adequar aos novos tempos. Eu tive que me reinventar caso contrário teria sido engolida. O melhor tutorial de como fazer vídeo no youtube é o próprio youtube”.

Para ajudar nessa empreitada Claudia deu algumas dicas como se atualizar, estudar e frequentar sites como o B9, com informações atualizadas e sérias sobre a indústria do jornalismo e da publicidade. Além disso, a jornalista citou cases de sucesso como o site Pipocando, hoje o maior canal de cinema da América Latina e o Desempedidos, um site sobre futebol desenvolvido por jornalistas e patrocinado por jogadores. “Todos temos uma trajetória e isso pode ser veiculado em uma plataforma digital para alavancar sua vida. Não podemos perder as conexões e não ter dinheiro é desculpa: vai estudar no youtube”.

O vlogger Felipe Neto

Quem pensa que vida de youtuber é só glamour e brincadeira está enganado. O youtuber Felipe Neto fechou o encontro contando sua trajetória desde que começou a fazer vídeos em 2010, sem imaginar o que aconteceria no futuro. O criador de conteúdo começou no “negocio” de uma forma instintiva, mas parou para estudar nos Estados Unidos e voltou para o Brasil para fazer no trabalho da melhor forma. “Fiz uma pesquisa de mercado e tive retorno de que eu era um chato e reclamão. Tive de me reinventar para continuar a produzir e postar vídeos”.

Felipe, que atualmente grava em média 45 vídeos por mês, falou sobre os estereótipos em relação aos youtubers, que fazem parte da indústria do entretenimento, e que há pessoas que ainda não reconhecem o youtuber como uma profissão. “Há youtubers que gravam somente dois vídeos por semana. Eu entendo por que as pessoas ainda não olham os influenciadores digitais como profissionais. Mas é um trabalho árduo. Eu pesquiso outros profissionais em outras partes do mundo, planejo, estudo e executo. Seja bobagem ou coisa séria, o conteúdo é planejado com seriedade”. Felipe atualmente trabalha com uma equipe enxuta, composta por dois editores e um assessor. Uma empresa faz a parte de publicidade.

O youtuber aproveitou o momento com o grupo de jornalistas para falar sobre a crise no jornalismo e sobre o futuro do universo digital, que é uma incógnita para todos. Para o vlogger, o jornalista desempenha uma função diferente dos youtuber, que é a informação e a verdade. Ele lamentou o esvaziamento das redações que provoca “furos” como o case que citou da queda do avião da Chapecoense. Ainda lamentou que as mídias sociais estejam tomando lugar das fontes seguras de informação. “A primeira notícia sobre a queda do avião foi às 5 horas da manhã na Globo News e eu já tinha sabido do fato no twitter às 2 horas da madrugada, durante gravação de um vídeo”.

Outra questão importante abordada por Felipe foi a busca pelos resultados imediatos. Apesar da crise, ele acredita que a indústria da comunicação e do entretenimento tem que parar para se repensar. Felipe conta que é muito assediado por parte da indústria cinematográfica, que já foi chamado para participar da cobertura do carnaval de 2017, mas recusou os pedidos. “Sei que é muito fácil falar disso com o bolso cheio. Mas não aceitei as propostas porque estava em outro projeto e é uma questão de preservação de imagem, como é da publicidade. Hoje eu só tenho patrocinadores que se identificam com a minha imagem”, conclui o vlogger.