Congresso extingue fundo de financiamento de programa de proteção para jornalistas

Share on facebook
Share on whatsapp
Share on twitter
Share on email
Share on print
Redação Portal IMPRENSA 

O Congresso Nacional do México decidiu acabar com o fundo independente que financiava o programa de proteção a jornalistas e defensores de direitos humanos ameaçados. A medida é do dia 21 de outubro.

Crédito: Eneas De Troya / Wikimedia

 

O financiamento era proveniente de um dos 109 fundos públicos extintos pelo governo algumas semanas atrás. Eles tinham como objetivo assegurar a distribuição de recursos públicos para certas causas, como assistência em desastres ou pesquisa científica.

Com o fundo público, o programa denominado Mecanismo de Proteção a Defensores de Direitos Humanos e Jornalistas decidia de forma ágil e independente como e quando implementar medidas de proteção, como a designação de seguranças, instalação de dispositivos de pânico, carros blindados e assistência para mudança de endereço. Atualmente, 1.300 pessoas ameaçadas vivem sob proteção.

De acordo com o presidente Andrés Manuel López Obrador, em uma declaração no início do mês passado, a extinção foi feita porque os fundos “eram totalmente autônomos e sem controle”.

Agora, as medidas de proteção serão financiadas pelo Ministério do Interior, mas ainda não foi divulgado se a pasta receberá recursos adicionais para manter o programa.

País perigoso para jornalistas

A extinção do fundo é ainda mais preocupante em um país como o México, um dos mais perigosos para jornalistas e defensores de direitos humanos no mundo. Dez jornalistas foram mortos por seu trabalho em 2020, e 161, desde 2006. No ano passado, 20 defensores dos direitos humanos foram mortos no país.

A Federação Internacional de Jornalistas tem monitorado e denunciado de forma consistente a violência contra trabalhadores da mídia no México em várias publicações, declarações e ações.

O crime desenfreado contra profissionais da área é generalizado em todo o país. Violências, assassinatos, desaparecimentos, estupros e deslocamentos de jornalistas afetam grandes áreas do México, cometidas em sua maioria por grupos criminosos e paramilitares.

A FIJ tem cobrado medidas urgentes do governo para aumentar a eficácia do Mecanismo de Proteção para defensores de direitos humanos e jornalistas e exigido que as autoridades judiciais resolvam as investigações pendentes sobre os crimes que têm a categoria como vítima.