Coronavírus: Senador infectado na comitiva critica Bolsonaro e defende Mandetta no cargo

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Coronavírus: Senador infectado na comitiva critica Bolsonaro e defende Mandetta no cargo

Senador Nelsinho concedeu entrevista ao Portal UOL

Aliado do presidente, Nelsinho Trad (PSD-MS) ataca sua postura de questionar o isolamento social para enfrentar a pandemia

Para o parlamentar, que é primo do ministro da Saúde, Mandetta não deve pedir demissão agora por ter “missão muito maior que qualquer intriga”

Congressista chegou a ficar internado por causa da covid-19, com dor intensa no corpo e febre alta, e diz agora estar recuperado

Infectado pelo coronavírus quando viajou com a comitiva presidencial aos Estados Unidos, o senador e
médico Nelsinho Trad (PSD-MS) criticou a postura do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de questionar
o isolamento social durante a pandemia da covid-19, doença causada pelo vírus.

“Acho que ele, no mínimo, está cometendo um equívoco. E não sou eu que estou dizendo. Todas as
recomendações de autoridades da imunologia, infectologia, do mundo, não é [só] do Brasil, falam que tem
que fazer esse bloqueio”, afirmou.

Nelsinho Trad não acredita que Mandetta deva pedir demissão agora por ter “uma missão muito maior que
qualquer intriga” e considera que Bolsonaro está se rendendo às diretrizes do ministério, aos poucos. No
entanto, admite não saber até onde vão as consequências do que classifica como “sapo que o presidente
teve que engolir”.

“A sequela que isso vai gerar no futuro nunca se sabe. Se esse sapo que o presidente teve que engolir em
função de toda essa batalha, se isso será digerido ou se lá na frente essa questão vai ser exaurida com a
demissão dele [Mandetta]”, disse.

Em parte do mandato de Nelsinho Trad como prefeito de Campo Grande, Mandetta atuou como seu
secretário de saúde. Trad é urologista e Mandetta, ortopedista. Atualmente, um outro irmão seu,
Marquinhos Trad (PSD), é prefeito da capital de Mato Grosso do Sul.

Recuperação e ‘dia após dia’

O senador se recupera da infecção confirmada em 13 de março e ainda tem alguma tosse seca, tendo
chegado a ficar internado em um hospital de Brasília. Segundo ele, os primeiros sintomas foram dor intensa
no corpo, febre alta que não passava com remédios e dor de cabeça.

Nelsinho Trad (PSD-MS), 1º à esquerda, durante revelação de placa comemorativa da visita da comitiva presidencial à fábrica da Embraer, na Flórida
Imagem: Alan Santos/PR

Depois do diagnóstico do secretário de Comunicação da Presidência, Fábio Wajngarten, Trad foi o
segundo infectado da comitiva de Bolsonaro em visita ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na
Flórida, em março. Pelo menos outros 23 integrantes da comitiva foram infectados pelo coronavírus.
Agora, o parlamentar retoma os trabalhos no Senado por meio das sessões virtuais e espera “virar essa
página” em definitivo. “Dia após dia a gente tem que ir vencendo.”

Leia a seguir os principais momentos da entrevista, concedida na quarta-feira (1º), na qual o senador fala
também sobre a relação difícil de governadores e prefeitos com Bolsonaro e como o Brasil precisa estar
preparado para o impacto da pandemia na agropecuária.

Como presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, ele ainda chama os ataques do
deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) à China como “um pouco fora de propósito”, mas diz
considerar o episódio superado.