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Curso internacional de jornalismo investigativo da Abraji já tem mais de 2,5 mil inscritos


Foto de capa:  Mark Lee Hunter/European Journalism Centre/Flickr

Um dos treinamentos mais aguardados entre os jornalistas veteranos, focas e estudantes já soma mais de 2,5 mil inscritos. O curso “Jornalismo investigativo: da hipótese à construção da narrativa” divulgado há apenas dez dias, se tornou um dos mais bem-sucedidos da Abraji. O objetivo é capacitar profissionais, docentes e estudantes para discutir todas as etapas de um trabalho investigativo. Um dos grandes diferenciais do novo curso é o elenco de instrutores: 16 profissionais renomados e premiados do Brasil e no exterior. Ainda há vagas e o encerramento das incrições será na próxima quinta-feira (03.ago.2023).  Inscreva-se aqui.

Outra marca do treinamento é o amplo perfil dos professores, que passaram por grandes e médias redações. Alexandra Zayas atua como editora executiva na Propublica, marco no  jornalismo investigativo independente norte-americano, vencedora do George Polk Awards e finalista do Pulitzer pelas reportagens no Tampa Bay-Times sobre grupos religiosos clandestinos que trancavam crianças dentro de casa com a negligência das autoridades. Zayas também ensina no Instituto Poynter.

Referência mundial, Mark Lee Hunter, membro da Global Investigative Journalism Network (GIJN), cujos manuais para repórteres investigativos são consideradas publicações seminais, é um dos convidados. O jornalista já escreveu mais de 100 trabalhos investigativos e nove livros. É professor-adjunto do Social Innovation Centre em Fontainebleau, na França, onde vive desde 1982.

A lista inclui também Andrew Lehren, editor da NBC News, que passou 13 anos no New York Times e hoje é professor da  Craig Newmark Graduate School of Journalism, em Nova York; e Ela Stapley, da International Women’s Media Foundation, reconhecida internacionalmente por dar capacitação a jornalistas do mundo inteiro sobre segurança digital.

A esses nomes se somam professores universitários com experiência no ensino de técnicas e caminhos narrativos, como Deborah Nelson, docente do Merrill College, da Universidade de Maryland e vencedora do Pulitzer; Giannina Segnini, diretora do Programa de Mestrado em Jornalismo de Dados da Universidade Columbia, em Nova York; e Gisela Perez, do Programa de Reportagem Investigativa de Berkeley, na Califórnia, especializada em open-source, extremismo, desinformação e meio ambiente.

Os instrutores brasileiros também se destacam na curadoria. Juliana Dal Piva, colunista do portal UOL, vai falar sobre a observação no jornalismo investigativo. Autora do livro “O Negócio do Jair: a história proibida do clã Bolsonaro”, que esteve entre os best-sellers de 2022, trabalhou nas redações dos jornais O Globo, Folha de S. Paulo, Estadão e na Revista Exame.

O time feminino incluiu a jornalista e roteirista Carol Pires, mestra em estudos latino-americanos pela Universidade Columbia e apresentadora do podcast “Retrato Narrado – Bolsonaro”, produzido pela Rádio Novelo. Ex-repórter da revista Piauí e do Estadão, é co-roteirista do documentário “Democracia em Vertigem”, indicado ao Oscar em 2020 e da série Extremistas.br, na Globoplay.

Consuelo Dieguez, que no ano passado lançou “O ovo da serpente: Nova direita e bolsonarismo: seus bastidores, personagens e a chegada ao poder”, foi convidada para abordar questões de narrativas investigativas e formatos de texto de reportagem. Repórter da Piauí, venceu o Esso de 1996 e foi bolsista do Reuters Institute.

A equipe traz ainda os nomes de Mauri König, premiado internacionalmente, especialista em investigação de narcotráfico, contrabando, corrupção estatal e violações de direitos humanos, eBreno Pires, repórter investigativo da revista Piauí, cujo trabalho de fiscalização do poder público resultou na abertura de diversas investigações por órgãos de controle e pelo judiciário, como o chamado orçamento secreto. Flávio Ferreira, da Folha de S. Paulo, mestre em jornalismo pela Universidade Columbia, se concentra em investigações robustas envolvendo empresas e estatais.

Referências em suas áreas, a presidente da Abraji, Katia Brembatti, e os diretoresGuilherme Amado e Cecilia Olliveiratambém participam como instrutores. Katia é professora universitária, faz parte da equipe do Estadão Verifica e já ganhou os prêmios Esso, Tim Lopes de Jornalismo Investigativo/Embratel, Ipys de reportagem investigativa da América Latina e o Global Shining Light Award. Cecilia é fellow da Shuttleworth Foundation, onde desenvolve melhor a ideia do Fogo Cruzado, que nasceu em 2016 para mapear tiroteios no Rio de Janeiro. Foi finalista do Sigma Awards e Sigma Data Awards, Online Journalism Awards, Prêmio Gabo e Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Amado, colunista do Metrópoles, cobriu  política e crime organizado em diferentes vertentes desde 2009. Passou pelas redações da Época e da Rádio CBN, e é John S. Knight Journalism Fellow na Universidade de Stanford, onde estudou colaboração entre jornalistas investigativos.

Como vai funcionar

Os módulos serão assíncronos (gravados para serem assistidos em qualquer momento) e ficam disponíveis na plataforma de cursos da Abraji. Os participantes também terão acesso a sessões de consulta com mentores. O treinamento vai de 7 de agosto a 29 de setembro, com carga de 3 a 4 horas por semana. Cada aula abordará uma etapa do planejamento de uma reportagem investigativa como observação, ética e responsabilidade, segurança digital, relacionamento com fontes, entre outras.

Para o coordenador de cursos da Abraji, Sergio Lüdtke, o programa é único e estimula os jornalistas a pensar todo o processo de investigação. “O curso oferece informações que ajudam a planejar a reportagem de modo a reduzir, ao máximo, os imprevistos que possam colocar em risco a continuidade do trabalho”, explica.

Aberto a jornalistas, docentes e estudantes, o curso é gratuito. A curadoria sobre conteúdos e instrutores ficou 100% a cargo da equipe Abraji. A Embaixada e os Consulados dos Estados Unidos são parceiros de patrocínio. As inscrições ficam abertas até o dia 3.ago.2023 e podem ser feitas por meio deste formulário. Para mais informações, enviar email para [email protected].

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