De ofensas a agressões e sequestro, jornalistas sofreram mais ataques em 2020, diz Abert

Share on facebook
Share on whatsapp
Share on twitter
Share on email
Share on print

Redação Portal IMPRENSA

Jornalistas brasileiros sofreram 150 situações de violações à liberdade de imprensa e de expressão em 2020. Os dados são de um relatório lançado nesta terça-feira (30) pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert).

Crédito: Reprodução

O número mais que dobrou em relação ao ano anterior, 2019, chegando a um aumento de 167% de ataques, que vão desde ofensas (59 casos e 68 vítimas), passam por agressões (39 casos contra 59 profissionais) e chegam até a casos de detenção (2) e sequestro (1).

Os dados estão compilados no relatório “Violação à Liberdade de Expressão”, apresentado hoje durante uma apresentação do presidente da Abert, Flávio Lara Resende, nos canais da entidade na internet.

Um dos casos emblemáticos citados no relatório é o assassinato do jornalista Léo Veras, em Pedro Juan Caballero (Paraguai), fronteira com Ponta Porã (MS), em fevereiro do ano passado.

Veras era dono do site Porã News, que fica em Ponta Porã e vinha sofrendo ameaças de morte, por conta de reportagens detalhando investigações policiais sobre o narcotráfico na região.

A situação se arrastava há anos. Em 2013, a Associação Brasileira de Imprensa chegou a noticiar as mensagens de texto que Veras tinha recebido em seu celular informando que ele era o primeiro de uma “lista negra” de pessoas que seriam assassinadas na região. À época ele declarou: “Não existe ameaça que me impossibilite. Não vou me trancar em casa por causa disso”.

Pandemia

A cobertura da pandemia de covid-19 também motivou ataques contra a imprensa, que viu se proliferarem os discursos de ódio e acusações de diversos tipos.

O relatório da Abert aponta que o jornalismo profissional teve que trabalhar para reforçar sua credibilidade, apurando e checando centenas de notícias falsas e negacionistas sobre as medidas de segurança impostas pela doença, e enfrentou acusações de causar histeria e pânico pela divulgação de dados sobre infectados e mortos pela doença.

Os ataques virtuais estiveram em destaque no ano passado quando, segundo a empresa Bites, foram registrados 2,9 milhões de posts na internet contra a imprensa, uma média de 7,9 mil ataques por dia; 331 ataques por hora; 6 ataques por minuto.

Apesar dos números, a Abert afirma que o resultado foi 9% menor do que em 2019.

Ranking mundial

Segundo o estudo da Abert, o Brasil ocupa o 107º lugar no ranking mundial de liberdade de imprensa elaborado pela organização Repórteres Sem Fronteiras.

Países da América Latina aparecem em posições melhores, como Chile (51º lugar), Argentina (64º lugar) e Paraguai (100º lugar).