Declaração de Bolsonaro sobre possível prisão de Glenn Greenwald é criticada por atacar liberdade de expressão

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Redação Portal IMPRENSA*
A declaração do presidente Jair Bolsonaro, feita via Twitter no sábado, 27, de que o jornalista Glenn Greenwald “pode pegar uma cana aqui no Brasil” foi repudiada por jornalistas de veículos da imprensa internacional, como o editor-chefe do The Washington Post, Marty Baron.
Em sua conta no Twitter, ele disse que “ao ameaçar um jornalista que publica uma informação de que ele não gosta, o presidente promove e instiga sérios ataques à liberdade de expressão. Sem liberdade de liberdade de jornalismo, as outras liberdades também morrem.”
Crédito:Reprodução Twitter
Sem liberdade jornalística, outras liberdades morrem, escreveu Marty Baron, jornalista do Washington Post

O relator especial para a liberdade de expressão da OEA, o advogado uruguaio Edison Lanza, também criticou a declaração do presidente Jair Bolsonaro referente ao jornalista Glenn Greenwald.

“O presidente do Brasil lamentavelmente parece ter se esquecido da Constituição e de tratados internacionais sobre liberdade de expressão dos quais o Brasil é signatário”, afirmou Lanza ao site da BBC News Brasil.
Ainda de acordo com o relator da OEA, Bolsonaro adota uma lógica já seguida por presidentes como Hugo Chávez e Rafael Correa. “Bolsonaro foi eleito com um discurso de liberdade de expressão e imprensa, mas o abandona rapidamente quando algo o incomoda. Não vejo diferença em relação ao comportamento de Chávez e Correa na América Latina”, declarou  o relator da OEA.
A declaração de Bolsonaro sobre o jornalista Glenn Greenwald foi feita no contexto da portaria 666. Publicada na sexta, 26, como forma de facilitar a deportação de estrangeiros considerados perigosos, a medida foi interpretada por opositores de Bolsonaro como uma forma de intimidar Greenwald, que é americano e também responsável pela publicação no Intercept Brasil das mensagens entre o então juiz Sergio Moro e procuradores da força-tarefa da Lava Jato. Entre outros possíveis desvios, as mensagens colocam a operação de combate à corrupção sob suspeita de ter sido usada com fins políticos e eleitorais.