Em Ponta Porã, Paróquia realiza exposição de Relíquias dos Santos

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Veja Santa Missa transmitida ao vivo pelo Facebook do Clube de Imprensa 

EXPOSIÇÃO DE RELÍQUIAS DOS SANTOS – Dia 1° de agosto, dia de Santo Afonso Maria de Ligório, aconteceu a Santa Missa inaugurando a exposição vocacional de acervos de relíquias redentoristas com uma grande celebração as 18h30 dando abertura ao mês vocacional na Igreja Matriz São José em Ponta Porã.

A Santa Missa foi celebrada pelos padres Jorge Luís Watthier e Miguelito que convidaram os fiéis: “você é nosso convidado para prestigiar esta forma de evangelizar e conhecer um pouco mais da missão redentorista”.

O Bispo Dom Henrique Aparecida de Lima autorizou a realização da Exposição em Ponta Porã.

 

Santo Afonso Maria de Ligório (Ligori)

Itália, 1696-1787

Santo Afonso Maria de Ligório (1696-1787), nasceu em Marinella, perto de Nápoles na Itália, no dia 27 de setembro.  Era filho de uma das mais antigas e nobres famílias de Nápoles. Seu pai era Capitão da Marinha Real e sua mãe católica fervorosa foi um bispo, escritor e poeta italiano. Ainda pequeno, recebeu do Santo São Francisco de Jerônimo da Companhia de Jesus, a seguinte profecia: “Esta criança, não morrerá antes dos 90 anos. Será bispo e realizará maravilhas na Igreja de Deus“. Fundou a congregação religiosa dos Padres Redentoristas. Estudou na Universidade de Nápoles e aos 16 já estava formado em Direito Civil e Canônico. Como advogado conseguiu renome, mas abandonou tudo para se dedicar a vida religiosa.

Afonso aprendeu a buscar a perfeição humana e espiritual procurava viver na graça de Deus e não pecar. Pôde preparar-se muito bem em sua formação humana. Em seu conhecimento musical, compôs músicas que até hoje são cantadas na Itália, entre elas o Dueto da Paixão, o cântico de natal mais popular da Itália, “Tu Scendi dalle Stelle”.

 Decisão Vocacional

 Teve grande sucesso no exercício de sua profissão viveu intensa vida cristã com sua família e nos grupos espirituais, dos quais participava. Mas faltava, como ele próprio disse a conversão. Essa ocorreu na Semana Santa de 1722.  Em 1723, depois de um longo processo de discernimento, abandonou a carreira jurídica, definiu-se pelo Evangelho.

Fundação da Congregação Redentorista

 No dia 9 de novembro de 1732, Afonso fundou a Congregação do Santíssimo Redentor, popularmente conhecida como redentorista, para seguir o exemplo de Jesus Cristo: anunciar a Boa Nova aos pobres e aos mais abandonados. Daí em diante, dedicou-se inteiramente a essa nova missão. Não estava sozinho, os primeiros companheiros, animados, não chegaram a um acordo e o deixaram sozinho. Depois lentamente, vieram outros com grande força apostólica e muita santidade. Entre eles, temos o Beato Sarnelli, São Geraldo e outros padres jovens e irmãos, animados pelo mesmo ideal de dar vida pela Copiosa Redenção. Hoje, já são quase 5.000, depois de tantas perdas, após o Concílio Vaticano II.

A maior contribuição de Afonso para a Igreja foi na área de reflexão teológica moral, com sua Teologia Moral.

Herança Espiritual

 De sua herança espiritual colhemos um grande amor aos mistérios, em que Jesus manifesta seu amor: Presépio, Cruz e Eucaristia. Maria para ele é aquela que viveu esse amor e pôde, com sua intercessão, trazer-nos a misericórdia de Deus. O amor a Jesus Cristo fez dele um continuador seu. Recebemos dele a missão de continuar Jesus Cristo anunciando aos pobres a redenção abundante.

 

Beato Gaspar Stanggassinge [1]

Alemanha, 1871 – 1899

Gaspar Stanggassinger nasceu em 1871 em Berchtesgade, no sul da Alemanha. Foi o segundo filho entre 12 irmãos. O pai dele, um homem respeitado por todos, era camponês e possuía uma pedreira. Gaspar viveu pouco entre nós, mas deixou uma marca de santidade e exemplo de vida.  Desde menino desejava ser padre. Nos anos de infância, Gaspar gostava de brincar de ser padre; pregava curtos sermões a seus irmãos e irmãs; os levava até mesmo em procissão para uma capela na montanha não muito distante de sua casa. Aos 10 anos, foi para Freising continuar os seus estudos, que achava particularmente difíceis. Mas seu pai o tinha advertido que, se não passasse nos exames, ele deveria abandonar a escola. Contra a sua vontade, mas com grande aplicação e fidelidade na oração, fez constantes progressos. Nos anos seguintes, durante as férias juntou-se a grupos de jovens, que ele afervorava na vida cristã, animava-os a formar entre eles um grupo e os ajudava a organizar seu tempo livre. Diariamente o grupo assistia a missa, eles faziam viagens ou peregrinações.  Gaspar era muito dedicado a eles e até mesmo, em uma ocasião, ele correu risco de vida para salvar um companheiro durante a escalada na montanha. Ele entrou para o seminário diocesano de Munique e Frising em 1890 para começar os estudos de teologia. Para descobrir melhor a vontade de Deus se entregou a um rigoroso programa de oração. Bem depressa viu claramente que o Senhor o chamava a viver sua vocação como religioso. Depois de uma visita aos redentoristas, sentiu o desejo de seguir a vocação deles como missionário.

Apesar da oposição de seu pai, entrou para o noviciado redentorista em Gars em 1892 e foi ordenado sacerdote em Regensburg em 1895. Gaspar Stanggassinger entrou na Congregação do Santíssimo Redentor para ser missionário, mas os seus superiores o destinaram à formação de futuros missionários, como vice-diretor do pequeno seminário de Dürenberg, nas proximidades de Hallein. Dedicou-se completamente ao que lhe tinha sido recomendado. Como religioso, tinham feito o voto de obediência e isto ele o viveu de um modo claro e constante. Toda semana, durante 28 horas, dava suas aulas, mas sempre estava disponível para a mocidade. Aos domingos, ajudava nas igrejas das cidades vizinhas, sobretudo pregando. Apesar deste programa de trabalho, estava sempre disponível de um modo paciente e compreensivo para ajudar as necessidades do outro, principalmente dos estudantes que viam nele mais um amigo que um superior.Embora o regulamento de formação fosse muito rigoroso, Gaspar nunca se comportou com dureza; Pe. Gaspar tinha sempre o sentimento de ter podido ofender alguém e por isso se desculpava com humildade. Profundamente devoto do Senhor e do Sacramento da Eucaristia, convidava em suas pregações o povo e, em especial a juventude, a recorrerem ao Santíssimo Sacramento nos momentos de necessidade ou de dúvida. Animava-os a irem até o Cristo para o adorar e falar com Ele como a um amigo. Frequentemente recomendava aos fiéis que levassem muito a sério a vida cristã, que crescessem na fé mediante a oração e por meio de uma conversão contínua. O estilo dele era direto e convincente, sem ameaças de castigos, em contraste com o que era habitual nas pregações de seu tempo. Em 1899, os redentoristas abriram um seminário novo em Gars. O Padre Gaspar Stanggassinger foi nomeado seu diretor. Ele estava então com 28 anos. Ele teve apenas o tempo de pregar um retiro para os estudantes e de participar na abertura do ano escolar. No dia 26 de setembro de 1899, sua peregrinação terrestre chegou ao fim por causa de uma peritonite. A causa de sua canonização começou em 1935, com a transferência de seus restos mortais para a capela lateral da igreja de Gars. Foi proclamado Beato pelo Papa João Paulo II no dia 24 de abril de 1988.

São Geraldo Majela

Itália, 1726-1755

Geraldo  foi irmão redentorista nasceu em 1726, em Muro, pequena cidade do sul da Itália. Sua mãe, Benedita, foi uma bênção para ele, pois he ensinou o imenso amor de Deus, que não conhece limites. Ele era feliz por estar perto de Deus. Geraldo tinha quatorze anos quando seu pai morreu e, então, ficou sendo o arrimo da família. Tornou-se aprendiz na alfaiataria da cidade e era maltratado pelo mestre. Passados quatro anos de aprendizado, quando ele poderia montar sua própria alfaiataria, disse que ia trabalhar como empregado do bispo de Lacedônia.

Quando acreditava que estava fazendo a vontade de Deus, Geraldo aceitava qualquer coisa.  Geraldo costumava passar horas diante de Jesus presente no Santíssimo Sacramento, o sinal do seu Senhor crucificado e ressuscitado.  Em 1745, com 19 anos, voltou para a cidade de Muro, onde montou uma alfaiataria. Seu negócio prosperou, mas ele não ganhou muito dinheiro.Praticamente, dava tudo para os outros. Guardava o que era necessário para sua mãe e suas irmãs e dava o resto aos pobres.Geraldo não passou por uma conversão repentina e espetacular; apenas foi crescendo constantemente no amor de Deus.

Durante a Quaresma de 1747, ele resolveu ser completamente semelhante a Cristo, o quanto lhe fosse possível. Fez penitências mais severas e as humilhações não eram problemas para ele. 

Vocação religiosa

Quis servir plenamente a Deus e pediu admissão no convento dos Capuchinhos, não sendo, porém, aceito.  Em 1749, os Redentoristas pregaram missões em Muro. Eram quinze missionários, e tomaram de assalto às três paróquias da pequena cidade. Geraldo seguiu cada detalhe da missão e decidiu que aquela devia  ser a sua vida. Pediu para ingressar no grupo missionário, mas o PeCafaro, o Superior, recusou-o por motivo de saúde.   “Aceitem-me! Me deem uma chance, depois me mandem embora se eu não for bom”, dizia. Geraldo sentiu-se absolutamente e totalmente satisfeito com o modo de vida que Santo Afonso, fundador dos Redentoristas, traçou para os seus religiosos. Ficava radiante ao constatar como era central o amor a Jesus Sacramentado e como era essencial o amor a Maria, Mãe de Jesus.  Professou os primeiros votos na data de 16 de julho de 1752.

A Grande Provação 

A santidade verdadeira deve sempre ser testada pela cruz e, assim, em 1754, Geraldo devia sofrer uma grande provação, aquela que bem pode ter merecido a ele o poder especial para assistir às mães e a seus filhos. Uma das suas obras de apostolado era a de encorajar e assistir as moças que queriam entrar para o convento. Muitas vezes, ele até garantiu o necessário dote para alguma moça pobre que, de outra forma, não poderia ser admitida numa ordem religiosa. 

Néria Caggiano era uma das moças assistidas desta forma por Geraldo. Porém, ela achou desagradável a vida do convento e, dentro de três semanas, voltou para casa. Para explicar sua atitude, Néria começou a espalhar mentiras sobre a vida das freiras, e quando o povo de Muro recusou-se a acreditar em tais histórias a respeito de um convento recomendado por Geraldo, ela resolveu salvar sua reputação, destruindo o bom nome do seu benfeitor. Para isto, numa carta dirigida a Santo Afonso, o superior de Geraldo, ela o acusou de pecados de impureza com a jovem de uma família, em cuja casa muitas vezes Geraldo ficava nas suas viagens missionárias

Geraldo foi chamado por Santo Afonso para responder à acusação. Mas, em vez de se defender, permaneceu em silêncio, seguindo o exemplo do seu divino Mestre. Diante deste silêncio, Santo Afonso nada pôde fazer, senão impor ao jovem religioso uma severa penitênciafoi negado a Geraldo o privilégio de receber a santa Comunhão e foi-lhe proibido todo contato com os de fora.  Não foi fácil para Geraldo renunciar aos trabalhos pelo bem das almas, mas este era um sofrimento pequeno em comparação com a proibição de comungar. Sentiu isto tão profundamente, que chegou a pedir para ficar livre do privilégio de ajudar a Missa, receando que a veemência do seu desejo de receber a comunhão o fizesse arrancar a hóstia consagrada das mãos do padre no altar. 

Algum tempo depois, Néria ficou gravemente enferma e escreveu uma carta a Santo Afonso confessando que as suas acusações contra Geraldo não passavam de invenção e calúnia. O santo ficou cheio de alegria ao saber da inocência do seu filho. Mas Geraldo, que não ficara deprimido no tempo da provação, também não exultou indevidamente quando foi justificado. Em ambos os casos, sentiu que a vontade de Deus tinha sido cumprida, e isto lhe bastava

O Santo das Mães

Por causa dos milagres que Deus fez por meio das preces de Geraldo em favor das mães, as mães da Itália se afeiçoaram a Geraldo e fizeram dele seu padroeiro. Em seu processo de beatificação, uma testemunha atestou que ele era conhecido como o santo dos partos felizes.

A congregação Redentorista alegra-se ao celebrar um membro seu tão querido. Ele é modelo para todos os que querem seguir o caminho do redentor, tanto padres, quanto irmãos ou leigos. Com Geraldo podemos aprender, sobretudo, a amar a Deus e às pessoas, estar a serviço e viver na alegria fazendo a vontade de Deus.

Beato Pedro Donders

Holanda, 1809 – Suriname,1887

Pedro Donders é considerado o Apóstolo do Suriname nasceuem Tilburg, Holanda no dia 27 de outubro de 1809, filho de ArnaldoDenis Donders  e Petronella van den BrekelDevido à  pobreza da família, os dois filhos pouco puderam estudar, pois tiveram que trabalhar para o sustento da casa. No entanto, desde tenra idade, Pedro tinha o desejo de se tornar sacerdote. Com auxilio do clero de sua paróquia, aos vinte anos, pode começar os estudos no seminário menor. Posteriormente foi ordenado sacerdote, em 5 de junho de 1841.

Enquanto ainda cursava os estudos teológicos, foi orientado pelos superiores do seminário para missões da colônia holandesa do Suriname. Chegou a Paramaribo capital da colônia, em 16 de setembro de 1842, e dedicou-se imediatamente aos trabalhos pastorais que haveriam de ocupá-lo até a morte. Suas primeiras obrigações consistiram em visitas regulares às plantações aos longo dos rios da colônia, onde ele pregava e administrava os sacramentos, sobretudo, aos escravos. Suas cartas exprimem sua indignação com o áspero tratamento reservado aos africanos, forçados ao trabalho nas plantações .

Em 1856 foi enviado à colônia dos leprosos de Batávia; e esta haveria de ser, com poucas interrupções, o cenário de seus trabalhos para o resto de sua vida. Em sua caridade, ele não apenas oferecia aos pacientes benefícios da religião, mas também cuidava deles pessoalmente, até conseguiu persuadir as autoridades a providenciar serviços adequados de enfermagem. De muitos modos conseguiu melhorar as condições de vida dos leprosos, por meio de sua energia em levar as necessidades deles ao conhecimento das autoridades da colônia. Quando, em 1866, os redentoristas chegaram para assumir a missão no Suriname. PeDonders e um sacerdote, seu companheiro, pediram admissão na Congregação.

O s dois candidatos fizeram o noviciado sob a direção do vigário Apostólico, o bispo  Dom João Batista Winkels, e professaram os votos, em 24 de junho de 1867. Pe Donders voltou imediatamente para Batávia. Por causa da assistência que  até então ele dava ao trabalho com leprosos, pode dedicar-se a uma obra que, por longo tempo quis fazer. Como redentorista, ele não voltaria sua atenção aos povos indígenas do Suriname. Prosseguiu esse serviço antes negligenciado por falta de pessoal, quase até  a morte. Começou a aprender línguas dos nativos e instruí-los na fé cristã, até que o declínio de suas forças o obrigou a deixar para os  outros o que tinha começado.

Em 1883 o Vigário Apostólico desejando aliviá-los dos pesados encargos que tinha assumido  por tanto tempo, transferiu-o para Paramaribo e depois para Coronie. No entanto ele voltou para Batávia em 1885. Exerceu suas ocupações anteriores até que sua saúde enfraquecida finalmente o prendeu no leito, em dezembro de 1886. Ainda viveu mais duas semanas até sua morte em 14 de janeiro de 1887. A fama de sua santidade se espalhou-se no Suriname e em sua pátria, a Holanda. Sua causa foi introduzida em Roma, e , em 23 de maio de 1982, ele foi beatificado pelo papa João Paulo II.  

S. Pius PP. X

Giuseppe Sarto

Itália, 1835-1914

Pio X foi o primeiro Papa, na história contemporânea, proveniente da classe camponesa; a sua formação foi exclusivamente pastoral: não ocupou nenhum cargo na Cúria Romana, nem nas atividades diplomáticas da Santa Sé. Nasceu em 1835 e foi o segundo de dez filhos. Com a morte do pai, poderia tê-lo substituído no trabalho Municipal – pois tinha 17 anos – mas a sua mãe o ajudou a seguir a sua vocação, trabalhando, dia e noite, para ir levando a vida. Tal amor e tenacidade não foram esquecidos por José Sarto: gostava de estudar, gozava de uma ótima saúde, era bondoso, mas também muito tenaz, e tinha uma vida rica de obras de caridade. Foi capelão, pároco, diretor espiritual no Seminário, Bispo de Mântua, Patriarca de Veneza e, por fim, Papa. Seu primeiro ato como Pontífice, foi abolir o “veto laical”, – uma espécie de direito, derivado de algumas monarquias europeias – com a Constituição “Commissum nobis”.

“Restaurar” para reformar

O famoso Catecismo, que traz o seu nome, foi adotado na Itália com uma particular estrutura de “perguntas e respostas”. Foi elaborado precisamente para pessoas simples, em uma sociedade onde a cultura ainda não havia atingido todas as classes sociais. A maior preocupação de Pio X era difundir, o máximo possível, a catequese entre os cristãos. Eis algumas das principais características do seu Pontificado: oposição ao modernismo e às leis anticristãs na França; impulso à reforma do Direito Canônico e da Cúria Romana; antecipação para sete anos de idade a Primeira Comunhão. Ainda na Itália, a moderação das restrições do “Non expedit” de Pio IX, ou seja, a proibição dos católicos italianos de participar da vida política.

Por outro lado, Pio X favoreceu a reforma Litúrgica, o movimento Bíblico e deu prioridade ao canto gregoriano. Mas, ao centro de tudo, estava a participação na Eucaristia. Estes são apenas alguns acenos, diante da riqueza das intervenções do seu Pontificado.  Ao centro, a preocupação PastoralLogo, o Papado de Pio X foi, certamente, muito “ativo” e variegado, tanto que, seu grande amigo e Secretário de Estado, Cardeal Rafael Merry delVal, não por acaso, ressaltou: “Este enorme trabalho foi, sobretudo, devido à sua iniciativa pessoal, consequente da sua bondade, que ninguém seria capaz de colocar em dúvida”.

Ao centro da sua vida e Magistério estava a sua preocupação pastoral, em uma sociedade onde se advertia, cada vez mais, uma crise de Fé. Esta sua intenção já era claramente expressa no lema do seu Pontificado “Instaurare omnia in Christo”, extraído da Carta aos Efésios. Enfim, São Pio X quis viver como pobre. De fato, deixou escrito em seu testamento: “Nasci pobre, vivi como pobre e, certamente, morrerei muito pobre”.

São Clemente

Maria Hofbauer

República Checa, 1751 – Áustria, 1820

São Clemente Maria Hofbauer nasceu no dia 26 de dezembro de 1751, em Tasswitz, na República Tcheca. Era o nono de doze filhos nascidos do casal Maria e Paulo Hofbauer. No Batismo, recebeu o nome de João. Todavia, sendo de família pobre, Clemente tinha poucas chances de ir para um seminário ou entrar para uma ordem religiosa.  Começou a estudar latim na casa paroquial quando tinha quatorze anos. Incapaz de prosseguir os estudos eclesiásticos teve que aprender um ofício. Foi mandado como aprendiz a uma padaria em 1767.

Em 1771, uma viagem à Itália levou Clemente a Tívoli. Aí decidiu fazer-se eremita no santuário de Nossa Senhora de Quintiliolo e pediu ao bispo local o hábito de eremita. Foi aí que recebeu o nome de Clemente Maria. Manteve para a vida o hábito da oração e do trabalho.   Por insistência da mãe, deixou o eremitério para de novo tornar-se padeiro. Desta vez, conseguiu um emprego numa famosa padaria de Viena, onde encontrou duas senhoras distintas que pagaram seus estudos. 

Aos 29 anos, entrou para a Universidade de Viena.  Durante uma peregrinação à Itália em 1784, Clemente e seu companheiro de viagem, Tadeu Hübl, decidiram entrar numa comunidade religiosa. Os dois foram aceitos no noviciado redentorista de São Julião, em Roma.  Na festa de São José, 19 de março de 1785, Clemente e Tadeu tornaram-se redentoristas. Poucos meses após a ordenação, os dois redentoristas estrangeiros foram convocados pelo seu Superior Geral, Pe. De Paola. Receberam a missão de voltar à Áustria e estabelecer a Congregação Redentorista. Era uma nomeação difícil e insólita para dois homens recém-ordenados. Para Afonso, essa difusão da Congregação além dos Alpes era uma prova segura de que os Redentoristas iriam perdurar até o fim dos tempos. 

Varsóvia e São Beno 

A situação política não permitiu a Clemente permanecer no seu próprio país. O imperador austríaco, não permitiria que uma nova ordem religiosa fizesse uma fundação. Sabendo disto, os dois redentoristas foram para a Polônia. Em fevereiro de 1787 eles chegaram a Varsóvia, cidade de 124.000 habitantes. Embora houvesse lá 160 igrejas e mais 20 mosteiros e conventos na cidade, pode-se dizer que era quase uma favela sem Deus. A população era pobre e mal educada. Muitos tinham passado do Catolicismo para à maçonaria.  A Polônia vivia uma grande turbulência política. Durante os vinte anos que Clemente passou em Varsóvia quase não teve um momento de paz.  Em Viena encontraram Pedro Kunzmann, um colega padeiro e com ele eremita na Itália. Ele se tornou o primeiro irmão redentorista fora da Itália. Chegaram a Varsóvia sem um centavo. Encontraram-secom o Delegado Apostólico, o Arcebispo Saluzzo, que lhes confiou a Igreja de São Beno para o trabalho com os de língua alemã.  Iniciou um trabalho com os órfãos. Quando o número de meninos foi demasiado para a sua casa, Clemente inaugurou o Refúgio Menino Jesus. Para dar comida e roupa aos garotos, tinha de pedir esmola.  No começo, quando os Redentoristas abriram a igreja, havia pouca gente. Em 1791, quarto ano depois da sua chegada, os Redentoristas ampliaram a casa dos meninos. Abriram um internato para meninas, posto sob a direção de algumas nobres senhoras de Varsóvia. O dinheiro para financiar tudo isso provinha de alguns benfeitores, mas Clemente ainda precisava mendigar à procura de ajuda para os seus muitos órfãos. 

Missão perpétua. Quem fosse a São Beno em qualquer dia poderia ouvir sermões em alemão e em polonês. Os padres estavam disponíveis para atender confissões a qualquer hora do dia e da noite.  Em 1800 o crescimento era visível não só no trabalho na igreja mas também na comunidade redentorista. As batalhas chegaram a Varsóvia durante a Semana Santa de 1794. Na ocasião das batalhas, Clemente e seus companheiros pregavam a paz. Isto apenas serviu para aumentar os gritos de protesto contra os Redentoristas, considerados traidores.  Quase desde o princípio, foram atacados de dois lados. Politicamente eram estrangeiros. Outro tipo de ataque era ainda mais doloroso. Um ataque pessoal, da parte de pessoas que deixaram a Igreja para se tornarem maçons. Encontravam-se nos seus grupos secretos para tramar contra os católicos, prejudicar os sacerdotes, impedir o culto público e fechar as igrejas. 

Os Redentoristas tinham sempre de ficar atentos às emboscadas. Seus inimigos ficavam à espreita para atingi-los com pedras ou bater-lhes com varas. Ainda mais doloroso para Clemente foi perder seu colega e grande amigo Pe. Tadeu. Tadeu recebeu um falso chamado para um doente. Muitas horas depois foi lançado para fora de uma carruagem em grande velocidade, depois de ter sido torturado e moído de pancadas. Alguns dias depois morreu em decorrência da agressão. Clemente ficou profundamente contristado com a morte do amigo.  Os ataques continuaram. Os padres poloneses do lugar chegaram a tentar deter o trabalho feito pelos Redentoristas. Depois de vinte anos edificando a fé do povo de Varsóvia, eram atacados, assaltados e atormentados.

Em 1806 foi promulgada uma lei proibindo os sacerdotes locais de convidar os Redentoristas para pregar missões em suas paróquias. Veio depois uma lei que impedia os Redentoristas de pregar e de ouvir confissões na sua própria igreja de São Beno. Diante disto, Clemente apelou diretamente ao Rei da Saxônia que governava a Polônia na época. Embora soubesse do bem que os Redentoristas estavam fazendo, ele era impotente para deter os maçons que queriam ver os Redentoristas fora da Polônia. O decreto de expulsão foi assinado dia 9 de junho de 1808. Onze dias depois, a igreja de São Beno era fechada e os quarenta Redentoristas lá residentes foram levados para a prisão, onde ficaram quatro semanas, até lhes ser dada ordem de voltar cada qual para seu país. 

Viena: um novo começo 

Em setembro de 1808, depois de exilado da Polônia, Clemente chegou a Viena. Lá ficaria até a morte, quase treze anos depois. Em 1809, quando as forças de Napoleão atacaram Viena, Clemente trabalhava como capelão de um hospital, cuidando dos muitos soldados feridos. O arcebispo, vendo o seu zelo, pediu-lhe que cuidasse de uma pequena igreja italiana na cidade de Viena. Aí permaneceu quatro anos, até ser nomeado capelão das irmãs ursulinas em julho de 1813. Cuidando do bem-estar espiritual das irmãs e dos leigos que frequentavam sua capela, a verdadeira santidade de Clemente manifestou-se ainda mais claramente. Naquele altar a sua devoção revelava-o como homem de fé. No púlpito falava as palavras que o povo precisava ouvir. Pregava de tal modo que pudessem conhecer os pecados deles, experimentar a bondade de Deus e viver suas vidas conforme a vontade divina. 

Naqueles primeiros anos do século XIX, Viena era um importante centro cultural europeu. Clemente gostava de entreter-se com estudantes e intelectuais. Os estudantes vinham – a sós ou em grupos – para sua casa a fim de conversar, fazer uma refeição ou pedir conselho. Boa parte deles se tornou Redentoristas. Trouxe para a Igreja muitos ricos e artistas. 

Em Viena Clemente sofreu novos ataques. Por certo tempo foi proibido de pregar. Depois foi ameaçado de expulsão por se ter comunicado com o seu Superior Geral redentorista em Roma. Antes que a expulsão fosse oficializada, o Imperador Francisco da Áustria deveria assiná-la. Na ocasião o Imperador fez uma peregrinação a Roma, onde visitou o Papa Pio VII e ficou sabendo quanto era estimada sua obra. Soube também que podia recompensá-lo pelos seus anos de serviço dedicado permitindo-lhe começar uma fundação redentorista na Áustria. Assim, em vez de um decreto de expulsão, ganhou uma audiência com o Imperador Francisco. Rapidamente os planos estavam feitos. Foi escolhida e restaurada uma igreja para se tornar a primeira fundação redentorista na Áustria. Mas isto haveria de iniciar sem Clemente. Ele caiu doente no início de março de 1820 e morreu no dia 15 de março do mesmo ano. Morreu com a gratificante notícia de que o seu segundo sonho tinha sido realizado.

São Francisco de Assis

Itália 1182-1226

Um jovem com grandes aspirações

Pequeno de estatura, de caráter extrovertido, Francisco sempre nutriu no coração o desejo de realizar grandes empreendimentos; isto o induziu, com a idade de vinte anos, a partir, primeiro para a guerra entre Assis e Perugia e, depois, para a Cruzada. Filho de um rico mercante de tecidos, Pedro de Bernardone, e de uma mulher nobre provençal, Pica, nasceu em 1182 e cresceu entre a opulência da família e a vida mundana. Ao retorno da dura experiência bélica, doente e abalado, foi irreconhecível por todos. Alguma coisa, além da experiência no conflito, havia afetado profundamente a sua alma.

Conversão

O jovem indisciplinado, rico e vaidoso decidiu optar por uma vida pobre, humilde e santa, após ter tido uma visão. Tocado pela presença divina, mudou de vida e começou a se dedicar aos necessitados, a ponto de oferecer seu manto a um leproso.

No entanto, recebeu outra visão na igrejinha da Porciúncula, onde ouviu uma voz que dizia: “Vai Francisco e reconstrói a minha Igreja que em ruínas”. Então, ele vendeu alguns bens do seu pai para reconstruir a igrejinha. Por isso, sendo acusado de dissipador da fortuna paterna, Francisco se despojou das suas vestes e as colocou aos pés do pai; assim, renunciou à sua herança e partiu nu para viver em plena pobreza.

Um encontro perturbante e a pergunta: servir ao servo ou ao Senhor?

Ele jamais havia se esquecido das palavras recebidas em sonho, em Espoleto“Por que te inquietas em buscar o servo em vez do Senhor?”. A sua existência tomou um novo rumo, guiado pelo constante desejo de saber para que Deus o chamasse. Oração e contemplação, no silêncio dos campos da Úmbria, levaram-no a abraçar como irmãos os leprosos e os desprezados, contra os quais sempre sentia sempre aversão e repugnância.

São Damião: “Francisco, vai e restaura a minha Igreja em ruína”.

A voz que ouviu em Espoleto voltou a ressoar no silêncio da oração diante de um crucifixo bizantino na igrejinha abandonada de São Damião: “Francisco, vai e restaura a minha Igreja, que como vês, está em ruína”. Aquela admoestação, antes entendida como convite a reconstruir pedra por pedra a ruína da capelinha, com os anos revelou ao jovem seu pleno significado. Ele era chamado a “coisas maiores”: “renovar”, em espírito de obediência, a Igreja que, na época, era investida por divisões e heresias.

Esposo da senhora Pobreza

A irreprimível alegria, brotada pelo sentir-se amado e chamado pelo Pai, aumentou no jovem o desejo de viver de Providência e, em prol do Evangelho, decidiu deixar seus bens aos pobres. Era irreparável a divergência criada com o pai, Pedro de Bernardone. Este o denunciou publicamente; então, o filho declarou seu íntimo desejo de casar com a senhora Pobreza, despojando-se das suas vestes diante do Bispo Guido.

A primeira comunidade de frades. O Papa aprova a Regra

Numerosos companheiros uniram-se a Francisco, que, como ele, queriam viver o Evangelho ao pé da letra, em pobreza, castidade e obediência. Em 1209, o primeiro núcleo de “frades” foi a Roma encontrar-se com o Papa Inocêncio III, que, impressionado por “aquele pequeno jovem de olhos ardentes”, aprovou a Regra, depois confirmada definitivamente, em 1223, por Honório III.

As Clarissas e a Ordem Terceira

Também Clara, uma nobre de Assis, foi atraída pelo carisma de Francisco. Ele a acolheu e deu início à segunda Ordem Franciscana “as pobres damas”, depois conhecidas como Clarissas. A seguir, fundou uma Terceira Ordem para os leigos.

Francisco, “Alter Christus

O amor ardente por Cristo, expresso graciosamente com a representação do primeiro Presépio vivo, em Greccio, no Natal de 1223, levou o pobrezinho a conformar-se com Jesus e a receber, como primeiro santo da história, o sigilo dos estigmas. O “Jogral de Deus” foi testemunha da alegria da fé, aproximando do Evangelho também os não crentes e até capturando a atenção do Sultão, que o acolheu com honras na Terra Santa.

A vida de Francisco, Louvor ao Criador

A vida de Francisco foi um constante hino de louvor ao Criador. O “Cântico do Irmão Sol”, primeira obra-prima poética da literatura italiana, – escrita quando Francisco estava enfraquecido pela doença, – é expressão da liberdade de uma alma reconciliada com Deus, em Cristo. O Santo vai ao encontro de Jesus com alegria, quando a “irmã morte” o vem visitar: era a tarde de 3 de outubro de 1226.

O espírito de Assis, inspirador de fé e fraternidade

Francisco morreu, com 44 anos, no piso rude da Porciúncula, lugar onde recebeu o dom da “indulgência do Perdão”. Sua canonização ocorreu dois anos depois. O espírito de Francisco continua a inspirar muitos à obediência à Igreja, à promoção do diálogo entre todos, na verdade, na caridade e na tutela da Criação. São Francisco de Assis, rogai por nós!