Família de jornalista brasileiro morto no Paraguai passa por dificuldade financeira e vive sob escolta e com medo

Share on facebook
Share on whatsapp
Share on twitter
Share on email
Share on print

Por Ricardo Freitas, G1 MS

Medo, dificuldade financeira e busca por justiça resumem bem a vida da família do jornalista Léo Veras, assassinado a tiros há pouco mais de 6 meses, em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, na fronteira com o Brasil em Mato Grosso do Sul.

A viúva Cinthia Veras mora com os dois filhos que teve com o jornalista, uma garota de 15 anos e um menino de 11. Eles continuam vivendo na mesma casa humilde onde a execução ocorreu. Mãe e filho presenciaram a morte de Léo. Manter a rotina nesse ambiente doloroso ainda é um desafio para toda a família.

“O Léo está por todas as partes desta casa, vemos ele por todos os lugares, ele era um bom pai, muito carinhoso com as crianças e um ótimo marido. O correto seria se mudar daqui para a dor diminuir, mas não temos condições para isso, não temos condições financeiras”, disse Cinthia.

Ela conta que depois da morte do marido a situação financeira ficou bastante complicada. A única fonte de renda da família era o site de notícias de Léo, que foi desativado logo após o assassinato. Cinthia o reativou há 2 meses, mas explica que por conta do crime e da pandemia só conta atualmente com um anunciante.

“Esse único anunciante é a renda de toda a família, vivemos dos R$ 300 que ele nos paga e graças a uma pessoa que me ajuda com uma cesta básica todo mês. Estou a procura de um trabalho, aceito qualquer tipo de emprego digno para sustentar minha família, estou a procura de uma oportunidade para nos dar mais dignidade” falou.

Esposa do jornalista — Foto: TV Morena/Reprodução

Esposa do jornalista — Foto: TV Morena/Reprodução

A família também vive apreensiva, em frente a casa o governo paraguaio disponibilizou uma viatura com policiais que vigiam o local 24 horas por dia. Quando saem da casa a escolta vai junto. No entanto, a vigilância apenas um alento para mãe e dos dois adolescentes.

“Vivemos com muito medo aqui, tem noites que não dormimos, meu filho que viu o pai sendo morto é o que mais sofre, ele geralmente não quer ficar sozinho e pede para dormir comigo. É muito complicado, qualquer movimento, qualquer barulho na rua já olhamos pela janela pensando que a história vai se repetir. Minha família não merece mais isso, já estamos mergulhados em um sofrimento sem fim, temos muito medo até de sair de casa” afirmou a viúva.

Cinthia afirma que o amor pelos filhos faz com que ela tenha forças para continuar vivendo sem a presença do marido com quem ela conviveu durante 17 anos. Ela sempre fala da saudade de Léo e pede que os culpados sejam realmente encontrados pela Justiça.

“O Léo é o grande amor da minha vida, ele morreu injustamente e sempre estará nos nossos corações. Estou esperando ser chamada pela Justiça do Paraguai para prestar esclarecimentos, e com isso, talvez ajudar nas investigações”, explicou.

Cinthia e Léo Veras — Foto: Redes Sociais

Cinthia e Léo Veras — Foto: Redes Sociais

As investigações

 

Um mês após o assassinato, o Ministério Público do Paraguai realizou operações de busca e apreensão para encontrar o responsável pela morte do jornalista e prendeu 10 pessoas. Segundo a polícia do Paraguai, dos presos, 6 são paraguaios, 3 brasileiros e um boliviano.

Foram encontrados com eles, dinheiro, telefones celulares e câmeras fotográficas. Os policiais ainda apreenderam 4 pistolas calibre 9 mm, 2 revólveres, 1 espingarda e munições de diferentes calibres. O MP afirma que os armamentos iriam passar por perícia, para ver se foram utilizados no assassinato do jornalista brasileiro.

Um veículo branco também foi apreendido por ter características semelhantes ao do que foi usado no dia do crime. Além dele, outros 4 carros foram confiscados pela investigação conjunta da polícia e Ministério Público.

A operação ocorreu em 19 endereços de Pedro Juan Caballero. Os investigadores mantiveram contato com as autoridades brasileiras, mas as atividades ocorreram apenas em território paraguaio.

No início de maio, Waldemar Pereira, mais conhecido como cachorrão, foi preso em Pedro Juan Caballero. Ele é suspeito de envolvimento na morte do jornalista Leo Veras.

O G1 não conseguiu respostas do Ministério Público do Paraguai para saber como estão as investigações atualmente.

Jornalista que denunciava tráfico na região de fronteira com Paraguai é executado

Jornalista que denunciava tráfico na região de fronteira com Paraguai é executado

A execução

 

Lourenço Veras, ou Léo Veras, era bastante conhecido em Mato Grosso do Sul por seu trabalho. Ele era o dono de um site policial que produzia notícias da região da fronteira em português e espanhol. Frequentemente ele noticiava situações relacionadas ao tráfico de drogas.

De acordo com a Polícia Nacional do Paraguai, Léo foi atingido por cerca de 12 tiros de pistola 9 milímetros. Um dos disparos acertou a cabeça dele no momento em que ele tentou correr dos assassinos. O jornalista chegou a ser socorrido e encaminhado para um hospital particular da cidade paraguaia, mas não resistiu.