Hostilidade contra jornalistas tem nova ocorrência

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Hostilidade contra jornalistas tem nova ocorrência

ABI

A violência contra jornalistas na área de entrada do Palácio da Alvorada, em Brasília, teve mais um capítulo nesta quarta-feira (27). A repórter Julliana Lopes, da CNN Brasil, foi interrompida abruptamente por um apoiador do presidente Jair Bolsonaro durante uma entrada ao vivo.

A jornalista falava sobre a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, de determinar o depoimento do ministro Abraham Weintraub (Educação) sobre afirmação feita em reunião ministerial de 22 de abril de que botaria todos na prisão, “começando pelo STF”.  “Abraham Weintraub tem razão!”, gritou um apoiador do presidente, localizado no espaço reservado à claque e separado da área destinada à imprensa por apenas uma grade.   De acordo com relatos, antes de interromper a entrada da repórter da “CNN Brasil”, o manifestante foi até a grade de contenção afirmando que a imprensa mentia ao dizer que jornalistas estavam inseguros no local.

Jornalistas são hostilizados diariamente por apoiadores de Bolsonaro na porta do Alvorada, mas a situação se agravou na segunda-feira (25). Veículos como a “Folha de S.Paulo”, o “UOL” e o “Grupo Globo” suspenderam a cobertura no local na terça-feira (26).  A medida foi seguida pela Band, Correio Braziliense e Metrópoles.

A “Folha de S.Paulo” decidiu suspender a cobertura  temporariamente até que o governo federal ofereça segurança aos profissionais de imprensa. A mesma decisão foi tomada pelo “Grupo

Globo”, que abrange os jornalistas de suas emissoras de televisão, os jornais “O Globo” e “Valor Econômico” e o portal “G1”. O Grupo Estado preferiu, até o momento, definir postura dia a dia.

Aos que aderiam à suspensão do plantão local,  a  cobertura tem sido feita a distância, por transmissões realizadas pela internet pela equipe de Bolsonaro e por apoiadores.

Além da “CNN Brasil”, nesta quarta, “Record TV”, “SBT”, “Jovem Pan” e “Poder 360” enviaram repórteres ou produtores para o local. Eles foram hostilizados.

Após a saída do presidente, os apoiadores passaram a xingar os profissionais de imprensa e foram abordados pelo pessoal do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

Em entrevista à Rádio Gaúcha nesta quarta, o vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, afirmou que as pessoas precisam entender que os jornalistas estão trabalhando e que isso, segundo ele,  é uma questão de educação.

“Isso é a cargo da segurança, do pessoal do GSI, do Planalto. Eu, como desconheço aquilo ali, nunca passo ali, apesar de ficar perto de onde eu resido… Agora, essas animosidades, vocês que são da imprensa sabem que ocorrem o tempo todo. As pessoas hoje acabam não se respeitando, perdem o respeito um pelos outros e, às vezes, têm que entender que cada um está fazendo seu trabalho. Acho que é uma questão até de educação isso aí”, disse Mourão.

No dia anterior, ao perceber a ausência de jornalistas, Bolsonaro disse na porta do Alvorada que os jornalistas estão se “vitimizando”.  Horas depois, em rede social, o presidente escreveu que “Globo, Folha e semelhantes decidiram não ir mais ao Alvorada para, em seguida, distorcer o que falo. Que pena!”. “A partir de agora apenas inventarão”, acrescentou.

O ministro Gilmar Mendes, do STF, afirmou em rede social que “é chocante a decisão da Folha e da Rede Globo de suspender a cobertura no Palácio da Alvorada diante de riscos à integridade moral e física dos jornalistas. O Ministério Público e o Judiciário devem investigar esses atos que, se existentes, configuram atentado grave à liberdade de imprensa”.

Também na terça-feira, o GSI informou em nota que continuará aperfeiçoando a segurança do local.”Continuaremos aperfeiçoando esse dispositivo, para que o local permaneça em condições de atender às expectativas de trabalho e de livre manifestação dos públicos distintos que, diariamente, comparecem ao Palácio do Alvorada”, afirma o texto.

Com a escalada de hostilidades, o GSI havia instalado duas grades,  para separar os dois grupos (imprensa e apoiadores). O reforço da proteção, no entanto, foi removido e, nos últimos dias, há apenas uma grade e uma fita de contenção, ignorada pela claque.

Repercussão internacional

A violência contra jornalistas e a decisão de veículos de comunicação de suspenderem plantões no local repercutiram  na imprensa internacional. O jornal britânico The Guardian registrou: Brazil media boycott Bolsonaro residence after abuse of reporters” (“mídia brasileira boicota residência de Bolsonaro depois de abuso de repórteres”).

A britânica Reuters, a maior agência internacional de notícias do mundo, disse que “Brazilian media boycott Bolsonaro residence due to harassment” ( “mídia brasileira boicota residência de Bolsonaro por assédio”).

Também a televisão portuguesa, a RTP, transmitiu vídeo gravado pelo presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Paulo Jeronimo de Sousa, condenando as agressões contra a imprensa brasileira.

Na mesma linha, a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) e a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) promoveram  nesta quarta-  feira (27) uma live sobre a proteção de jornalistas. Participaram  os ministros do STF  Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes; o procurador-geral da República, Augusto Aras; e a jornalista do jornal Folha de S.Paulo Patrícia Campos Mello. (veja matéria no site).

Acesse os links e veja a repercussão internacional

https://www.theguardian.com/world/2020/may/26/brazil-media-boycott-bolsonaro-residence-abuse-of-reporters-suspend-reporting-president-supporters

https://www.reuters.com/article/brazil-politics-media-idUSL1N2D81OL

Imagem: Reprodução da internet