Jornal argentino é invadido e profissionais são agredidos e ameaçados após reportagem sobre denúncia de assédio

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Um grupo de aproximadamente 100 pessoas invadiu a sede do jornal argentino Río Negro, na cidade de General Roca, depredou as instalações e agrediu trabalhadores. Eles também fizeram ameaças de morte aos jornalistas Luis Leiva, repórter, e Italo Pisani, redator-chefe do jornal.

Crédito: Río Negro

O fato ocorreu minutos depois que um juiz da província de Río Negro apresentou acusações de assédio sexual e agressão contra Miguel Báez, líder da Organização dos Desempregados em Luta (ODEL), um braço da Central de Trabalhadores da Argentina (CTA Autônoma).

De acordo com reportagens locais, os agressores seriam membros da ODEL e muitos usavam coletes que os identificavam como membros da CTA, como mostra um vídeo da invasão.

O ataque

O repórter Luis Leiva cobre o caso contra Báez desde o início, quando surgiu a primeira denúncia em abril de 2020, segundo contou o redator-chefe Italo Pisani ao Comitê para a Proteção de Jornalistas (CPJ).

Após a decisão judicial, os agressores entraram no prédio e exigiram ver Leiva, que não estava no jornal; eles então exigiram que o repórter pedisse demissão e escreveram nas paredes “Morte a Leiva”, relatou Pisani.

O grupo derramou álcool e tinta em uma recepcionista e a insultou. Agressores socaram um fotógrafo e destruíram documentos e computadores no prédio, de acordo com notícias da imprensa local e de Pisani.

Os invasores também penduraram cartazes com os rostos de Leiva, da mulher que registrou a queixa de abuso sexual contra Báez, e do advogado dessa mulher, e espalharam pichações com os dizeres “Diga a verdade Leiva” e “mentirosos” nas paredes do prédio.

Eles depredaram a recepção e tentaram acessar a redação, no segundo andar, mas não conseguiram passar pela porta blindada que protegia a área.

Pisani acionou a polícia, que só chegou mais de meia hora depois, quando o grupo já havia destruído a recepção e deixado o local. “Isso nos deixou ainda mais preocupados”, disse. “Somos um jornal de 108 anos e nunca tínhamos visto um acontecimento como esse”, lamentou.

Investigação e punição

Para o CPJ, o ataque visa silenciar a investigação sobre as acusações de assédio sexual e agressão. A entidade cobra a imediata responsabilização legal dos envolvidos. “As autoridades argentinas devem realizar rapidamente uma investigação para identificar os responsáveis pelo atentado à sede do jornal Río Negro e pelas ameaças ao jornalista Luis Leiva”, disse Natalie Southwick, coordenadora do programa do CPJ para a América do Sul e Central, em Nova York.

A governadora de Río Negro, Arabela Carreras, condenou o ataque no Twitter e prometeu investigar a inação da polícia, assim como o chefe de polícia da província, Osvaldo Tellería.

O jornal apresentou queixa ao Ministério Público e forneceu vídeos e fotos dos agressores. Policiais foram colocados no prédio do jornal e na casa de Leiva para garantir a proteção do jornalista.

A CTA Autônoma emitiu um comunicado em que afirmou não ter ligação com o ataque e que a sucursal da ODEL é um membro autônomo do sindicato. A ODEL não se pronunciou.