Jornal turco divulga áudio que seria do assassinato do jornalista Jamal Khashoggi

Redação Portal IMPRENSA*
Foi divulgado pela imprensa turca nesta terça-feira, 10, um áudio que seria do assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi, colaborador do jornal Washington Post, que aconteceu em outubro do ano passado, dentro do consulado da Arábia Saudita em Istambul, Turquia.
Até agora cinco sauditas foram acusados de ordenar e cometer o crime. Eles podem ser condenados à pena de morte. Outros 21 suspeitos estão sendo julgados na Arábia Saudita.
Crédito:Reprodução Exame

Em junho, Agnes Callamard, relatora da ONU para execuções extrajudiciais, sumárias ou arbitrárias, apontou em relatório que o governo da Arábia Saudita deve ser visto como responsável pelo assassinato e expôs evidências do envolvimento do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman na morte.

Inimiga do governo saudita, a Turquia e seu presidente Recep Erdogan têm denunciado o crime na comunidade internacional. A agência EFE informa que o jornal turco Daily Sabah, ligado ao governo do país, obteve a gravação divulgada hoje com oficiais da inteligência nacional.
Chocante e mórbido, o áudio começa minutos antes da entrada do colaborador do Washington Post no prédio do consulado, com uma conversa entre duas pessoas. Uma delas, identificada como oficial da inteligência saudita, pergunta se o animal que seria sacrificado já tinha chegado e questiona se a melhor opção era colocar o corpo de Khashoggi em uma bolsa. Um médico forense responde que o jornalista é alto e pesado, recomendando que o corpo seja esquartejado e retirado em várias bolsas.
A transcrição do áudio contém trechos ainda mais chocantes. Em um deles, uma pessoa alega saber cortar muito bem cadáveres. O áudio segue com a entrada de Khashoggi no consulado, onde ouve que há uma ordem da Interpol solicitada pelo governo saudita, que o obriga a voltar ao país de origem. O jornalista nega a informação, garantindo não existir ordem de extradição contra ele e diz que a noiva o espera na rua.
Os dois homens pedem para que ele deixe uma mensagem para o filho, dizendo que está bem, para caso seja procurado. Khashoggi se nega a gravar a mensagem. Em seguida, o jornalista vê uma toalha e pergunta se irá ser drogado, e ouve a resposta que será feito com que ele durma.
‘Não faça isso! Me asfixiará!’ “Não me deixem com a boca fechada. Tenho asma. Não faça isso, me asfixiará”, teriam sido as últimas palavras registradas de Khashoggi.
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Lile Corrêa

Jornalista, Radialista e Recordista Bi-Mundial incluso no Guinness Book