Jornalistas Patrícia Campos Mello e Vera Magalhães são homenageadas no Troféu Mulher IMPRENSA

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Jornalistas Patrícia Campos Mello e Vera Magalhães são homenageadas no Troféu Mulher IMPRENSA

As jornalistas Patrícia Campos Mello e Vera Magalhães foram as homenageadas da 14ª edição do Troféu Mulher IMPRENSA, com o prêmio especial de “Contribuição ao Jornalismo”, que tem o objetivo de reconhecer o histórico de carreira e a importância da participação da homenageada no desenvolvimento da comunicação no País.
As duas jornalistas receberam este prêmio especial como reconhecimento pelos seus trabalhos jornalísticos prestados à sociedade de apuração e denúncia, e mesmo tendo sofrido ataques misóginos e pessoais, continuam nos dando exemplo de força e inspiração ao exercer sua função de jornalista com maestria e contribuindo para que o jornalismo brasileiro seja cada vez melhor e mais respeitado.

O anúncio das homenagens foi feito no Troféu Mulher IMPRENSA LIVE, promovido nesta sexta-feira (29) pelo Portal IMPRENSA, em parceria com a Unibes Cultural. Durante a live, Patrícia e Vera conversaram com Sinval de Itacarambi Leão, diretor responsável da IMPRENSA, sobre os caminhos e os desafios para fortalecer o jornalismo feito por mulheres.

“Este ano, o prêmio tem uma aura muito especial. As profissionais homenageadas são experientes e respeitadas. Elas são uma inspiração para toda uma geração e, infelizmente, são exemplos de ataques que mulheres jornalistas estão sofrendo no exercício de sua profissão”, afirmou Sinval.

As jornalistas foram alvo de ataques durante o governo Bolsonaro. Vera teve seus dados pessoais expostos e foi vítima da criação de um perfil falso em uma rede social ao revelar que o presidente havia usado seu celular pessoal para compartilhar um vídeo convocando a população para manifestações contra o Congresso Nacional.

Já Patrícia foi alvo de ataques digitais de apoiadores do governo Bolsonaro por ser responsável pelas matérias sobre disparos em massa pelo WhatsApp de mensagens favoráveis ao então candidato Jair Bolsonaro durante a campanha presidencial brasileira em 2018.

Durante a Live, Vera afirmou que a homenagem não poderia ser mais simbólica e especial. “Agradeço muito pela criação desta nova categoria. Não podia ser mais simbólico e mais especial receber ao lado de Patrícia, exemplo de resiliência e competência”.

Patrícia agradeceu a homenagem, ressaltando que o prêmio adquiriu um significado muito especial diante dos recentes ataques às mulheres jornalistas. “A gente vive em um ambiente de uma hostilidade aumentada nunca visto desde a redemocratização do país. Não são críticas ao nosso trabalho, são críticas preconceituosas e verdadeiras campanhas de difamação contra mulheres”.
Crédito:Montagem com foto de Bruno Santos/Folhapress, foto Divulgação/TV Cultura e foto de Elisa de Paula
Misoginia 
Sinval questionou às jornalistas sobre o que a misoginia pode ensinar para elas na defesa do jornalismo.

Para Patrícia, os ataques misóginos são um tipo de censura. “Toda vez que a gente vai fazer uma reportagem, a gente pensa duas vezes porque já pensamos nos ataques”.

Vera afirmou que a misoginia é característica inegável dos ataques. “Enfrentar e encarar é o que nos resta fazer. Buscar meios judiciais porque são injúrias, calúnias difamações e assédio direcionado e cometido de forma muito orquestrada”.

A jornalista disse ainda que a imprensa e as jornalistas aprenderam a se impor diante dos ataques, principalmente diante das ofensas digitais.

“Depois de um tempo perdida em relação a como se comportar perante as redes sociais, a imprensa decidiu se impor. Precisamos fincar o pé e exigir a integridade dos jornalistas para que eles possam exercer o dever de informar. Como garantidor da liberdade de imprensa em sua plenitude”.

A reportagem
As profissionais comentaram sobre a importância da reportagem no exercício da profissão.
“A reportagem é a matéria prima do nosso trabalho. A partir dela temos a entrevista, a coluna de opinião e a análise. Ela nunca foi tão importante na era da desinformação”, disse Vera.

Já Patrícia afirmou que não sabe fazer outra coisa, além de ser repórter. “Adoro ser repórter. Não sei fazer outra coisa”, conta.

Vera citou ainda os desafios da profissão. “Assim como o troféu do Mulher Imprensa tem uma flor, a jornalista é assim. A gente brota, nasce e se reinventa à medida que as estações passam. Essa estação de agora é mais dura, mas a gente vai continuar a florescer”, finalizou.

Biografias
Patrícia Campos Mello é formada em jornalismo pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre em Business and Economic Reporting pela Universidade de Nova York (NYU). Foi correspondente em Washington do jornal O Estado de S. Paulo e atualmente é repórter especial e colunista da Folha de S.Paulo.

Foi a única repórter brasileira a cobrir a epidemia de ebola em Serra Leoa em 2014 e 2015. É senior fellow do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI).

Patrícia foi vencedora do Troféu Mulher IMPRENSA em 2016, na categoria “Repórter de Jornal”. A jornalista recebeu ainda o Prêmio Internacional de Liberdade de Imprensa do CPJ (Comitê para a Proteção dos Jornalistas), o prêmio especial Vladimir Herzog de Direitos Humanos, o prêmio Internacional de Jornalismo do Rei da Espanha, prêmio de Jornalismo Humanitário do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, Grande Prêmio Petrobrás, Grande Prêmio Folha e Prêmio Estado.

Vera Magalhães estudou jornalismo na Universidade de São Paulo (USP). Atualmente, é apresentadora do programa Roda Viva, da TV Cultura, colunista do Estado de S. Paulo e editora do site BR Político, de análise política do Grupo Estado.

Já passou pela rádio Jovem Pan e era responsável pelos boletins diários sobre política no programa Jornal da Manhã. Também integrou o elenco do programa vespertino 3 em 1 na mesma emissora.

Já na Folha de S.Paulo, foi coordenadora de Política da sucursal de Brasília. Depois, foi repórter especial da Folha e responsável pelo blog É tudo Política.

Nos anos de 2017 e 2018, a jornalista recebeu o Troféu Mulher IMPRENSA na categoria “Comentarista ou Colunista de Rádio”, pela Jovem Pan. Ganhou o Prêmio AMB 2004, promovido pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), na categoria “Melhor Reportagem em Revista”. Conquistou o Prêmio Folha de Reportagem de 2007.

Troféu Mulher IMPRENSA
Idealizado e promovido pela Revista e Portal IMPRENSA, o prêmio, que está em sua 14ª edição, tem como missão difundir o trabalho das mulheres na comunicação em todo o Brasil e fomentar a pauta dos direitos da mulher.
O ‘Troféu Mulher Imprensa de Contribuição ao Jornalismo’ é uma premiação especial, idealizada na quinta edição, que tem o objetivo de reconhecer o histórico de carreira e a importância da participação da homenageada no desenvolvimento da comunicação no país. A condecoração já foi conferida a Alice Maria, Marília Gabriela, Leda Nagle, Mônica Waldvogel, Glória Maria, Claudia Vassallo, Míriam Leitão, Joyce Pascowitch e Astrid Fontenelle.
Para conhecer as vencedoras da edição 2020 do Troféu Mulher IMPRENSA, acesse www.portalimprensa.com.br/trofeumulherimprensa