Júri popular dos acusados da morte do jornalista Valério Luiz tem data marcada

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Júri popular dos acusados da morte do jornalista Valério Luiz tem data marcada

O júri popular dos cinco acusados de envolvimento na morte de Valério Luiz de Oliveira foi marcado para 23.jun.2020 pelo juiz Lourival Machado da Costa, titular da 2ª Vara Criminal de Crimes Dolosos Contra a Vida de Goiânia. Em 2012, o jornalista e radialista foi brutalmente assassinado com seis tiros à queima-roupa quando saía da Rádio Jornal 820 AM, emissora na qual trabalhava na capital de Goiás.


Em conversa com a Abraji, Valério Luiz, filho do jornalista e advogado, lembra das dificuldades para que a data do júri fosse finalmente estabelecida, quase oito anos após o crime.

“Todas as instâncias de poder que poderiam ter sido acionadas para inviabilizar o julgamento o foram. O caso só foi para a frente por uma solidariedade muito grande das instituições da sociedade civil, da população e da imprensa local”, afirma.

A Justiça mandou os réus a júri popular em ago.2014. Na sequência da decisão, diversos recursos dos acusados e impasses institucionaisretardaram o julgamento.

As investigações da Polícia Civil concluíram que o crime foi encomendado pelo então cartorário e ex-Vice-Presidente do Atlético Clube Goianiense, Maurício Sampaio. Além dele, são acusados o cabo da Polícia Militar Ademá Figueredo Aguiar Filho, que seria o autor dos disparos; e Marcus Vinícius Pereira Xavier, Urbano de Carvalho Malta e o sargento da PM Djalma Gomes da Silva, que teriam articulado o homicídio.

Valério Luiz lembra que crimes contra comunicadores tendem a ser perpetrados por detentores de poder, como políticos locais e agentes da polícia. Recente levantamento da plataforma Voces del Sur, por exemplo, mostra que de 38 casos de agressões a jornalistas latino-americanos em jan.2020, 22 partiram de agentes do governo.

“O caso do meu pai é um pouco fora da curva porque ele criticava um clube de futebol. Mas, se olharmos mais a fundo, as elites econômicas e políticas sempre estiveram ligadas às diretorias dos clubes de futebol no Brasil”, explica.

Com a expectativa de que o júri dê respostas positivas ao caso, Valério Luiz destaca que a justiça significaria mais que um alento para os parentes. “Seria uma mensagem de confiança na Justiça, na democracia e na liberdade para a nossa família e para os jornalistas como um todo. Uma forma de dizer que, mesmo que a justiça não seja de praxe nesses casos, com esforço e mobilização suficiente,  é possível alcançá-la”, acrescenta.

A depender da resposta do júri popular, o caso pode sair das estatísticas de impunidade do relatório “Violência contra comunicadores no Brasil”. De acordo com o documento, 25% dos casos de homicídios de comunicadores ocorridos no Brasil entre 1995 e 2018 ainda estão sendo investigados.

Foto: Arquivo Pessoal.