Morre no Rio a jornalista Cristina Chacel

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Morre no Rio a jornalista Cristina Chacel

MORRE NO RIO A JORNALISTA E ESCRITORA CRISTINA CHACEL

A jornalista e escritora Cristina Chacel

Faleceu nesta terça-feira, 28, a jornalista e escritora carioca Cristina Chacel, 61 anos. Ela tinha apenas nove, em dezembro de 1968, quando foi decretado o AI-5 no país, mas já no final da década de 1970 Cristina  estava pelas grandes redações, cobrindo a greve dos presos políticos e a volta dos exilados ao país. Passou pela Última Hora, Radio Jornal do Brasil, Jornal do Brasil e O Globo. Atuou como repórter, redatora, subeditora e colunista e, na maior parte do tempo, na área de economia e finanças, trabalhando ainda com estratégia e planejamento de comunicação, marketing político e criação editorial. Cristina foi também Diretora de Comunicação da SEDES – Secretaria Especial de Desenvolvimento Econômico Solidário – antes de se dedicar à criação de textos institucionais.

O último livro, de 2012, Seu Amigo Esteve Aqui narra a história do desaparecido político Carlos Alberto Soares de Freitas, o Beto, assassinado durante a ditadura militar no Brasil na Casa da Morte, centro clandestino de tortura montado pelo Exército, em Petrópolis. Cristina começou a elaborar a história do desaparecimento do mineiro Carlos Alberto, em maio de 2009. Para arrolar os fatos que concluíram no assassinado do preso político, foram feitas cerca de 60 entrevistas coletadas por todo o Brasil e que acabaram por se transformar em depoimentos. As várias pessoas ouvidas haviam sido também vítimas.

Com o conhecimento das histórias, que inclui a da presidente Dilma, amiga de Beto, a escritora levantou os fatos que tiveram início em 15 de fevereiro de1971, quando ele foi preso no Rio de Janeiro e nunca mais visto. O depoimento na OAB da militante Inês Etienne Romeu, a única sobrevivente da Casa da Morte, sobre o assassinato dele, seu amigo desde Minas Gerais, e de outros presos foi fundamental para a realização do livro. E a cada testemunho, novos fatos e pistas iam surgindo, acabando por revelar que a Casa da Morte mantinha extensões com crematórios, que eliminavam as pistas. O corpo de Beto até hoje não foi encontrado.

Entre outros livros, Cristina lançou também Janelas Abertas, em coautoria com o fotógrafo Rogério Reis; Bairros do Ri oNeighborhoods Centro, da Coleção Bairros do Rio que revela a cidade para o seu morador e o turista, com detalhes da história, arquitetura, tendo mapas e fotografias da cidade;  O tatu saia da toca- histórias da internacionalização da Petrobrás; Arte e Ousadia; Rio de Contos 1000, com fotos de Custódio Coimbra. E ainda vários livros publicados com temáticas em políticas públicas e projetos sociais e solidários do Rio de Janeiro.

Cristina Chacel era uma pessoa alegre, com muitos amigos e que enfrentou a doença de forma corajosa. Ela se preparava para uma viagem à Cuba onde tomaria uma vacina que dá sobrevida de cinco a dez anos ao paciente de câncer, mas seu estado se agravou. Estava internada na Casa de Saúde São José onde faleceu. Era casada com o fotógrafo Custódio Coimbra com quem tinha a filha, Bárbara. Deixa ainda três enteados e três netos.

No Facebook, Custódio Coimbra escreve mensagerm emocionada “à tão amada Cristina Chacel”. Também diversos amigos postaram homenagens pelas redes sociais

Na sequência, uma mensagem da filha Bárbara, enviada aos amigos na última sexta-feira.

Amigos queridos,

O câncer que era assanhadinho se transformou em um câncer devastador.O tratamento não está se mostrando eficaz, e infelizmente muito sofrido.

Por essa triste notícia minha mãe decidiu interromper o tratamento. Apesar dos pesares, ela quer que essa decisão seja vista com alegria, pois é a liberdade e a coragem de decidir a hora de parar.

É chegado o momento de rezarmos para ela fazer uma boa passagem e triunfar.

Barbara Chacel