Motivadas pela imprensa, demissões nas Forças Armadas ilustram ódio ao jornalismo

Share on facebook
Share on whatsapp
Share on twitter
Share on email
Share on print
Leandro Haberli*

Responsável por evocar no Brasil uma onda de temores de ruptura institucional e embarque do governo federal em aventuras antidemocráticas, a decisão do presidente Jair Bolsonaro, anunciada nesta terça (30), de demitir os comandantes das três Forças Armadas pode ter sido motivada pelo trabalho da imprensa.
Entrevista do general Paulo Sérgio, chefe do Departamento-Geral de Pessoal do Exército, concedida ao jornal Correio Braziliense, teria sido a causa da demissão tripla, inédita na história do país.
Feita pelo jornalista Renato Souza, a entrevista foi publicada no domingo (28) e abordou as estratégias de prevenção à covid-19 adotadas pelas Forças Armadas.
Responsável pelo setor de recursos humanos dos militares, que inclui a área de saúde, o general Paulo Sérgio informou ao Correio que a taxa de mortalidade por covid na instituição é de 0,13%.
Crédito:Reprodução Correio Braziliense

Na linha-fina da entrevista, os editores do jornal destacaram que na populaçao em geral essa taxa é bem maior (2,5%) e que o general já preparava a instituição para uma terceira onda de covid no Brasil, prevista para maio.

Disseminação criminosa do vírus
Ao evidenciar que, ao contráio do governo federal, as Forças Armadas não desprezaram os riscos da pandemia nem acreditaram na infundada expectativa de imunidade de rebanho por contágio, como fez o governo federal ao agir para acelerar de forma criminosa a disseminação do vírus no país, a entrevista teria irritado profundamente Bolsonaro.
Após muita tensão, rusgas e desentendimento, o resultado foi a troca no comando das Forças Armadas, que aprofunda de forma temerária a crise institucional no país.

Deixaram o cargo Edson Pujol (Exército), Ilques Barbosa (Marinha) e Antônio Carlos Moretti Bermudez (Aeronáutica).

Essa não teria sido a única consequência da entrevista publicada no Correio. Antes dos comandantes Bolsonaro demitiu o ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva. Neste caso o cargo passou a ser provisoriamente ocupado pelo general Braga Netto. Nos demais ainda não foram anunciados substitutos.
A decisão das demissões foi comunicada em reunião realizada nesta terça, que contou com a presença de Braga Netto, Fernando Azevedo e dos comandantes das Forças Armadas. Consta que o encontro teve direito a murro na mesa e doses extras de tensão em vários momentos, principalmente quando o comandante da Marinha se posicionou contra Bolsonaro.