No Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, defensores da imprensa lutam contra desinformação e pela segurança de jornalistas

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No Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, defensores da imprensa lutam contra desinformação e pela segurança de jornalistas

Por Teresa Mioli/ME

Assim como tem acontecido com a maioria das coisas, a atual pandemia da COVID-19 deixou a sua marca na comemoração do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, celebrado todo ano em 3 de maio desde a sua criação pela Assembleia Geral da ONU em 1993.

Jornalistas e profissionais da mídia são cruciais para nos ajudar a tomar decisões informadas. À medida que o mundo luta contra a pandemia da COVID-19, essas decisões podem fazer a diferença entre a vida e a morte”, disse António Guterres, Secretário Geral da ONU. “No Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, nós apelamos aos governos –e a outras partes interessadas– para garantir que os jornalistas possam fazer seu trabalho ao longo da pandemia da COVID-19 e além”.

Organizações de defesa da imprensa, entidades não-governamentais e a imprensa vão fazer vários seminários online, lançar publicações especiais e organizar campanhas nas mídias sociais para marcar o dia e chamar atenção para a importância de uma imprensa livre, especialmente na época do COVID-19.

A UNESCO está organizando uma campanha nas redes focada no tema deste ano, “Jornalismo sem medo e imparcial”. Os subtemas do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa deste ano analisam a segurança de jornalistas e trabalhadores da mídia, jornalismo independente, livre de influências políticas e comerciais e igualdade de gênero.

Frequentemente, vemos interferência na liberdade de imprensa. Se essa interferência envolve controle político, ideológico ou econômico, ou envolve ataques difamatórios destinados a desacreditar seu alvo, ou envolve assédio, as tentativas de silenciar jornalistas são comuns – especialmente as mulheres jornalistas. Infelizmente, as circunstâncias excepcionais que vivemos hoje agravam ainda mais essa pressão sobre os jornalistas”, disse a diretora geral da UNESCO, Audrey Azoulay. “A crise atual também está aumentando a incerteza econômica para os jornalistas.”

Em sua declaração, Azoulay também apontou a importância de combater a desinformação que só exacerba a atual crise de saúde. Ela destacou as campanhas nas mídias sociais “Together for Facts, Science and Solidarity” e “Don’t Go Viral”, e a criação de um centro de recursos COVID-19 para jornalistas.

Jineth Bedoya Lima criou a campanha “não é hora de se calar” em 2009 para lutar contra a violência contra mulheres (Foto: El Tiempo)

Como parte das comemorações, a jornalista colombiana Jineth Bedoya foi anunciada como a vencedora do Prêmio Mundial da Liberdade de Imprensa UNESCO / Guillermo Cano 2020. Bedoya focou sua carreira na cobertura do conflito armado e do processo de paz em seu país de origem e tem sido uma feroz ativista contra a violência sexual contra mulheres.

Representantes da ONU, Organização para Segurança e Cooperação na Europa e Organização dos Estados Americanos (OEA) divulgaram uma declaração conjunta em homenagem à data, especificamente sobre a liberdade de expressão e eleições. Suas recomendações aos estados incluíam o fim da censura e aumento do acesso à informação durante as eleições. Eles também pediram às mídias e plataformas digitais que adotem medidas para garantir uma diversidade de visões e perspectivas políticas, bem como para lidar com a desinformação.

A declaração foi assinada por David Kaye, relator especial da ONU para a liberdade de opinião e expressão; Harlem Desir, representante da OSCE para a liberdade da mídia; e Edison Lanza, Relator Especial da OEA para liberdade de expressão.

O presidente da Sociedade Interamericana de Imprensa, Christopher Barnes, também divulgou nota sobre a data. No texto, ele comemora que as pessoas estejam, durante a pandemia, considerando o jornalismo e a imprensa tradicional como uma importante fonte de informação confiável.

Barnes destaca que, para trazer um conteúdo qualificado, jornalistas e editores precisam fazer um “trabalho duro” e assumir riscos. Ele reforça que, apesar de essenciais, jornalistas têm sofrido com cortes de salário e demissões em massa no continente.

“Neste dia especial, nós não queremos ignorar o fato de que nós ainda vivemos em uma região onde a coragem dos jornalistas é colocada à prova todos os dias,” afirmou. “Nós rejeitamos a violência e impunidade que envolve os crimes contra jornalistas. Da mesma forma, nós esperamos que os governos do Brasil, Colômbia, Equador, Guatemala, Honduras, México e Paraguai fortaleçam sistemas para proteção e segurança de jornalistas com recursos humanos, técnicos e financeiros.”

Barnes conclui a nota celebrando a atuação dos jornalistas e dando os parabéns aos profissionais da imprensa por seu trabalho diário, que, segundo ele, constitui uma das bases da vida em democracias.
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Se junte à comemoração do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa online usando a hashtag #WorldPressFreedomDay. Você pode encontrar abaixo um resumo de eventos e campanhas regionais e internacionais organizadas para a data. Você sabe de algum outro evento? Nos avise pelas redes sociais: @utknightcenter@utcentroknight ou @centroknightut.

UNESCO

A UNESCO será a patrocinadora do Dia da Diferença 2020, um evento interativo transmitido ao vivo em 3 de maio, com palestrantes convidados que vão discutir os desafios do jornalismo.

A UNESCO também vai fazer eventos online de 4 a 6 de maio, focados em desinformação e COVID-19independência da mídia em tempos de crise e segurança de jornalistas durante a pandemia.

UNESCO México, Tecnológico de Monterrey e INAI vão fazer um seminário digital em espanhol “Pandemia, democracia e direitos humanos: Novos desafios em jornalismo” em 6 de maio.

A UNESCO também se uniu à Organização Mundial da Saúde (OMS), com o apoio da Fundação Knight e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, para um curso online gratuito do Centro Knight em inglês, espanhol, português e francês, “Jornalismo em uma pandemia: cobrindo COVID -19 agora e no futuro.” O curso começa em 4 de maio e as inscrições ainda estão abertas.

Voces del Sur

O Voces del Sur se uniu a várias organizações latino-americanas de imprensa e jornalismo para sediar o fórum regional virtual em espanhol em 5 de maio, “Liberdade de imprensa após o coronavírus“. Os palestrantes são Frank LaRue, ex-relator especial da ONU para a promoção e proteção do direito à liberdade de opinião e expressão; Natalie Southwick, coordenadora do programa para América do Sul e Central do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ); e Roberto Pereira, advogado e especialista em liberdade de imprensa. É moderado por Amada Esperanza Ponce, diretora-executiva do Comitê pela Livre Expressão (C-Libre).

Fundamedios

Desinfodemia na América Latina: fatos-19”, um fórum virtual em espanhol sobre combate à desinformação na internet, será realizado em 6 de maio pelos Fundamedios do Equador, UNESCO, as embaixadas dos EUA e do Canadá, a delegação da União Europeia e o escritório local da Fundação Panamericana de Desenvolvimento (PADF). César Ricaurte, diretor executivo da Fundamedios, vai moderar o debate. Cristina Tardáguila (IFCN), Liliana Elósegui (Verificado-México), Desirée Yépez (Ecuador Chequea), Luiza Bandeira (Laboratório de Pesquisa Forense Digital) e Marianela Balbi (IPYS Venezuela) vão participar do debate.

Alianza PAN

O Projeto Antonio Nariño sediará o webinar “Jornalismo Indispensável” em 3 de maio. É uma aliança com a Associação Colombiana de Mídia (AMI), Consejo de Redacción, Fundação Gabo, Fundação Liberdade da Imprensa (FLIP), Fundação FESCOL, com apoio da UNESCO.

UNESCO e organizações brasileiras

A UNESCO, em parceria com diversas organizações no Brasil, vai promover um webinar para discutir o papel da imprensa para conter a desinformação durante a pandemia da covid-19.

O webinar está programado o dia 4 de maio, para às 17h, com transmissão simultânea nas páginas do Facebook das organizações que promovem o evento: Unesco, Abraji, Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Associação de Jornalistas de Educação (Jeduca) e Instituto Palavra Aberta.

O debate terá a participação de Marlova Noleto, Diretora e Representante da UNESCO no Brasil; Atila Iamarino, biólogo e divulgador científico; Antônio Gois, jornalista e presidente da Jeduca; e de Patricia Blanco, presidente do Instituto Palavra Aberta.

Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ)

Como parte da data, o CPJ e as organizações parceiras estão pedindo aos governos mundiais que libertem jornalistas presos durante a pandemia da COVID-19 como parte da campanha #FreeThePress. Uma petição online já reuniu mais de 10.000 assinaturas.

Washington Post Press Freedom Partnership

O anúncio do Washington Post Press Freedom Partnership com o caso da jornalista Claudia Duque pelo Dia Mundial da Liberdade de Imprensa 2020. (WPPFP)

Em anúncios impressos e digitais durante a semana que antecedeu o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, a parceria para a Liberdade de Imprensa do Washington Post começou a publicar histórias de jornalistas perseguidos de todo o mundo. Isso incluiu o caso de Claudia Duque, jornalista colombiana que enfrentou perseguição legal e ameaças por suas reportagens sobre o processo de paz.

International Women’s Media Foundation (IWMF)

A IWMF está usando a hashtag #CheckYourBylines nas mídias sociais para apoiar mulheres jornalistas e chamar atenção para as disparidades de gênero na redação. “Uma em cada três mulheres jornalistas em início de carreira considera deixar a profissão devido à agressões de gênero”, segundo a organização.

Organized Crime and Corruption Reporting Project (OCCRP)

O OCCRP está destacando as histórias e os desafios dos repórteres em sua rede durante o fim de semana do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa como parte da campanha de mídia social “Enfrentando a luta”. O OCCRP destacou o caso do repórter venezuelano Darvinson Rojas, que foi preso após reportar sobre a COVID-19.

*Marina Estarque contribuiu para esta nota.