Reunindo mais de 400 jornalistas, investigação coletiva expõe bancos no mundo inteiro

bb
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on email
Share on telegram
Share on print
Share on whatsapp

Reunindo mais de 400 jornalistas, investigação coletiva expõe bancos no mundo inteiro

Obtido pelo BuzFeed nos Estados Unidos e compartilhado a partir do ICIJ (International Consortium of Investigative Journalists, ou Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos) entre mais de 400 jornalistas de 88 países e 110 veículos de comunicação, um vazamento de documentos da Rede de Combate aos Crimes Financeiros (FinCen, na sigla em inglês) originou uma série de reportagens investigativas publicadas a partir deste domingo (20), que revelam como alguns dos maiores bancos do mundo permitiram que criminosos movimentassem ilegalmente dinheiro sujo.
O site Poder360 e as revistas Época e Piauí estão entre os veículos brasileiros que participaram da investigação jornalística desse vazamento, batizada de FinCen Files.

Braço do Departamento do Tesouro dos EUA (equivalente ao Ministério da Economia no Brasil), a FinCen é uma espécie de Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) norte-americana.

Crédito: Reprodução BBC
Lavagem de dinheiro: mais de 400 jornalistas, de 110 veículos, participaram de investigação conjunta batizada de FinCen Files
Já o ICIJ é uma rede de jornalistas baseada em Washington, que já revelou grandes escândalos internacionais, como o Panama Papers e o SwissLeaks.

Somando mais de 2100 documentos enviados por bancos a autoridades dos EUA entre 2000 e 2017, os arquivos vazados envolvem operações com valor total acima de 2 trilhões de dólares.

Entre as revelações mais bombásticas, o vazamento indica que bancos de renome, como HSBC,  Deutsche Bank e JPMorgan Chase, lucraram com dinheiro sujo mesmo após serem multados por autoridades norte-americanas.

Maior banco da Europa, o HSBC teria continuado a movimentar dinheiro sujo mesmo após ter assinado, em 2012, um acordo de ação penal admitindo ter lavado pelo menos 881 milhões de dólares para cartéis de drogas latino-americanos.
Pelo acordo o banco pagou 1,9 bilhão de dólares em multas e se comprometeu a combater o fluxo de dinheiro sujo por cinco anos.
As investigações mostram que, embora não viesse cumprindo o acordo, o HSBC obteve do governo permissão para anunciar, em dezembro de 2017, que havia cumprido todos os seus compromissos e que os promotores estavam rejeitando as acusações criminais.
Como resultado das reportagens do FinCen Files, as ações do HSBC caíram mais de 5% na bolsa de valores de Hong Kong nesta segunda (21), levando os papeis ao nível mais baixo desde maio de 1995.