Sindicato orienta jornalistas que estão cobrindo ataques no Ceará

Sindicato elabora orientações de segurança para jornalistas cobrirem ataques no Ceará

Redação Portal IMPRENSA

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará (Sindjorce) elaborou uma cartilha com orientações de segurança para a cobertura da onda de violência no estado. Desde a semana passada, têm ocorrido ataques em diversas cidades .

Crédito: Reprodução

“Este é o momento de perceber os riscos que os jornalistas enfrentam ao cobrirem atos violentos e criminosos que atingem a população e adotar protocolos para mitigar possíveis efeitos”, disse a presidente do Sindjorce e segunda tesoureira da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), Samira de Castro. “Os jornalistas devem evitar cobrir esses eventos sozinhos e de forma desorganizada. Somente ter mais colegas na área não vai ajudar se todos eles estão indo para o local sem nenhuma coordenação”, complementou.

De acordo com o sindicato, até o momento, foram registrados dois casos de cerceamento ao exercício profissional ligados aos ataques. Um policial militar obrigou uma equipe do jornal O Povo a apagar fotos mostrando o acúmulo de lixo nas ruas de Fortaleza, em função da redução da coleta após os ataques a carros da concessionária de serviço público e  uma equipe da TV Jangadeiro foi expulsa quando fazia uma reportagem no bairro Planalto Ayrton Senna, também na capital.

A Secretaria de Segurança Pública do Ceará diz que os ataques são uma reação de criminosos às mudanças na política penitenciária adotadas pelo novo governo. Confira as medidas básicas de segurança elaboradas pelo Sindjorce:

– Planejar a cobertura com o máximo de detalhes possível. Isto inclui identificar a área que estarão cobrindo, traçar rotas de fuga e locais onde podem se proteger em caso de erupção de violência.

– Não ir sozinho. O trabalho em equipe, sobretudo para quem vai registrar imagens, é fundamental.

– Ir em veículo próprio da empresa de comunicação e com motorista que permaneça nas imediações da pauta.

– Observar até que ponto pode se aproximar para fazer transmissões ao vivo (ou vídeos no celular) e colher informações.

– Manter contato com a redação sempre, passando aos editores a situação do local.

– Cobrar a disponibilidade de Equipamentos de Proteção Individual.

– Sair para a rua com protocolos estabelecidos com o seu editor e equipe.

– Decidir por si mesmo que tipos de circunstâncias exigem crachás de imprensa para identificar-se como um jornalista. Geralmente é melhor ser claramente identificado como um membro da mídia, mas em alguns casos isso poderia atrair mais violência. Em qualquer caso, os documentos de identificação devem estar sempre à mão e disponíveis.

– Estar ciente sobre quem são os agentes violentos e suas motivações. Os jornalistas precisam saber — com o máximo de detalhes possível — quais agentes responderão de forma mais agressiva aos jornalistas e como será essa agressão.

– A comunicação de duas vias com a redação precisa ser constante. Jornalistas na rua devem carregar baterias externas totalmente alimentadas para seus telefones celulares. Se possível, jornalistas podem levar um telefone adicional com eles para usar exclusivamente para fazer chamadas — não precisa ser um smartphone.

– Evitar o contato com grupos que promovem violência ou forças de segurança que estão prestes a implementar medidas de controle. Quando as circunstâncias o permitirem, recomenda-se manter uma distância de pelo menos 10 a 15 metros daqueles que ameaçam usar a violência.

– Fazer transmissão de Facebook Live em equipes de duas ou mais pessoas, para que pelo menos uma pessoa possa prestar atenção ao que está acontecendo na área, enquanto também protege as costas da outra pessoa. Se houver violência, o repórter precisa ser capaz de interromper a transmissão se sua segurança está em risco.

– Entrevistas com população ou outros agentes devem ocorrer nas esquinas, com o entrevistado contra uma parede. O repórter deve ser capaz de ter uma visão completa do que está acontecendo ao seu redor.

– Em situações de fogo cruzado, os jornalistas devem ser treinados em se esquivar, procurar cobertura, identificar se realmente estão ouvindo tiros e, em seguida, identificar a fonte e o(s) atirador(s).

– Em caso de sofrer agressão ou cerceamento do exercício profissional, registrar boletim de ocorrência e comunicar ao Sindicato, bem como ao departamento jurídico da empresa.

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Lile Corrêa

Jornalista, Radialista e Recordista Bi-Mundial incluso no Guinness Book