SIP questiona governo americano sobre lista secreta que ameaça liberdade de imprensa na fronteira

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epaselect epa05749998 General view of the border between the US states of Texas; New Mexico (L) and Ciudad Juarez, Mexico (R), on 25 January 2017. US President Donald J. Trump said on 25 January that the construction of the wall at the Mexican border wil start 'in months' and that the planning will start 'immediately'.
Redação Portal IMPRENSA

A Sociedade Interamericana de Imprensa (da sigla em espanhol SIP) pediu esclarecimento ao governo dos Estados Unidos sobre a existência de um banco de dados secreto criado para vigiar jornalistas que fazem a cobertura das caravanas de migrantes centro-americanos. A entidade considera a lista uma política discriminatória que restringe o trabalho jornalístico e compromete a liberdade de imprensa.

Crédito: Divulgação/Agência Lusa

A existência do banco de dados foi comprovada pela NBC 7 Investigates, de San Diego. De acordo com a emissora, documentos obtidos por sua equipe mostram que o governo americano possui uma lista secreta com ativistas, jornalistas, influenciadores digitais, advogados etc  e em alguns casos colocou alertas em seus passaportes.

A publicação informa que jornalistas que cobriram a caravana, assim como advogados e outras pessoas que ofereceram assistência a seus membros, afirmam ter se tornado alvo de inspeções e escrutínios intensos dos oficiais de fronteira.

A emissora obteve os documentos que comprovam as denúncias de uma fonte ligada à Segurança Nacional. Com a condição de anonimato, ela informou que agentes da Customs and Border Protection (CBP), imigração, Customs Enforcement (ICE), patrulha de fronteira dos EUA, Homeland Security Investigations e alguns agentes do FBI de San Diego utilizam um aplicativo SharePoint com essas informações.

O documento, datado de 9 de janeiro, tem o nome de “San Diego Sector Foreign Operations Branch: Migrant Caravan FY-2019, Suspected Organizaers, Coordinator, Instigator, and Media e possui selo com as bandeiras dos EUA e do México. Um oficial do departamento de segurança interna informou que o símbolo indica que os documentos foram produzidos em cooperação entre os dois países. Dez jornalistas (sete americanos, dois espanhóis e um mexicano) estão na lista.

A presidente da SIP, María Elvira Domínguez, considerou a medida “muito preocupante” e acrescentou: “devemos estar alertas porque esta situação nos relembra outros casos que temos denunciado na América Latina onde, em nome da segurança nacional, se criam ‘listas negras’ para manter à distância jornalistas independentes e outros profissionais incômodos”.

“No caso dos jornalistas, a criação da lista secreta busca restringir e dificultar a cobertura de um assunto de relevância internacional. Esta é uma política discriminatória que restringe a liberdade de imprensa”, acrescentou o presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação, Roberto Rock.