Sucesso de transplante de fígado chama atenção para procedimento desse tipo durante pandemia

Paciente de 23 anos é beneficiado pelo segundo transplante de fígado realizado na rede de saúde do Amazonas. Um jovem de 23 anos, portador de cirrose decorrente de hepatite autoimune, foi o segundo paciente beneficiado pelo Programa de Transplantes de Fígado que está sendo implantado pela Secretaria de Estado da Saúde (Susam) na Fundação Hospital Adriano Jorge (FHAJ). A cirurgia, que durou cerca de seis horas – incluindo o procedimento de captação do órgão doado, realizado no Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio – aconteceu neste final de semana e foi realizada pouco mais de um mês após o primeiro procedimento do tipo, ocorrido no início de setembro, e que beneficiou um paciente de 41 anos.
De acordo com a equipe médica responsável pelo procedimento – formada por profissionais da FHAJ e do Grupo Hepato, de São Paulo – a cirurgia transcorreu de forma muito satisfatória e o paciente segue em recuperação na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital. “Estas primeiras 48 horas pós-transplante são de muita expectativa. São os primeiros momentos de acomodação do órgão transplantado ao organismo do paciente, um período em que monitoramos riscos de hemorragia, entre outras intercorrências inerentes a este tipo de procedimento de alta complexidade. Mas tudo foi muito bem, tanto no processo de captação quanto de implantação do órgão”, disse o médico Tércio Genzini, do Grupo Hepato, que chefiou a equipe de transplante. A expectativa, segundo ele, é que o paciente possa deixar a UTI já no decorrer desta segunda-feira (13). O secretário estadual de Saúde em exercício, José Duarte dos Santos Filho, destacou que o segundo transplante foi possível graças ao gesto de solidariedade da família de um paciente, também jovem, que estava internado no Hospital e Pronto-Socorro Dr. João Lúcio Machado, vítima de traumatismo cranioencefálico grave e evoluiu para morte encefálica. “É sempre oportuno salientar a grandiosi
Paciente de 23 anos é beneficiado pelo segundo transplante de fígado realizado na rede de saúde do Amazonas. Um jovem de 23 anos, portador de cirrose decorrente de hepatite autoimune, foi o segundo paciente beneficiado pelo Programa de Transplantes de Fígado que está sendo implantado pela Secretaria de Estado da Saúde (Susam) na Fundação Hospital Adriano Jorge (FHAJ). A cirurgia, que durou cerca de seis horas – incluindo o procedimento de captação do órgão doado, realizado no Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio – aconteceu neste final de semana e foi realizada pouco mais de um mês após o primeiro procedimento do tipo, ocorrido no início de setembro, e que beneficiou um paciente de 41 anos. De acordo com a equipe médica responsável pelo procedimento – formada por profissionais da FHAJ e do Grupo Hepato, de São Paulo – a cirurgia transcorreu de forma muito satisfatória e o paciente segue em recuperação na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital. “Estas primeiras 48 horas pós-transplante são de muita expectativa. São os primeiros momentos de acomodação do órgão transplantado ao organismo do paciente, um período em que monitoramos riscos de hemorragia, entre outras intercorrências inerentes a este tipo de procedimento de alta complexidade. Mas tudo foi muito bem, tanto no processo de captação quanto de implantação do órgão”, disse o médico Tércio Genzini, do Grupo Hepato, que chefiou a equipe de transplante. A expectativa, segundo ele, é que o paciente possa deixar a UTI já no decorrer desta segunda-feira (13). O secretário estadual de Saúde em exercício, José Duarte dos Santos Filho, destacou que o segundo transplante foi possível graças ao gesto de solidariedade da família de um paciente, também jovem, que estava internado no Hospital e Pronto-Socorro Dr. João Lúcio Machado, vítima de traumatismo cranioencefálico grave e evoluiu para morte encefálica. “É sempre oportuno salientar a grandiosi
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Sucesso de transplante de fígado chama atenção para procedimento desse tipo durante pandemia

Cirurgia realizada no HC de Ribeirão Preto, com novos protocolos e cuidados para evitar a covid-19, salvou vida de paciente que chegou a receber extrema-unção

A paciente, de 19 anos, teve infecção urinária e, como resultado do tratamento, desenvolveu uma hepatite medicamentosa que levou à falência hepática. A única alternativa de sobrevivência era o transplante de fígado – Foto: Alfredo Fernades/Agecom

A estudante de enfermagem Sara Maria Alves Casimiro, de 19 anos, esteve à beira da morte. Chegou, inclusive, a receber a extrema-unção na UTI da Santa Casa de Misericórdia de Mococa, em São Paulo, onde mora, na região de Campinas. E o problema dela não teve nada a ver com o novo coronavírus.

Professor e coordenador do Programa de Transplantes do HCFMRP-USP Ajith Kumar Sankarankutty – Foto: via Facebook

Aos 19 anos, ela teve infecção urinária e, como resultado do tratamento, Sara desenvolveu uma hepatite medicamentosa que levou a uma falência hepática. Desenganada pelos profissionais da Santa Casa de Mococa, ela foi transferida às pressas para o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HC-FMRP) da USP. E, imediatamente, encabeçou a lista de espera pelo órgão na fila de transplantes.

“A paciente chegou com o estado geral bastante comprometido. Já não estava mais consciente e precisando até mesmo de suporte de máquinas para respirar. A piora foi tão acentuada que acreditamos que ela não teria sobrevivido se não tivesse aparecido um órgão para transplante naquele momento”, garante o professor Ajith Kumar Sankarankutty, coordenador do Programa de Transplantes do HC-FMRP e chefe da equipe que realizou o  transplante de Sara.

Além de todos os cuidados que uma cirurgia desse porte requer, era preciso pensar em todos os protocolos e procedimentos para evitar a covid-19. “A princípio, foram os mesmos cuidados adotadas para qualquer cirurgia com reforço dos equipamentos de proteção individual (EPIs) para todos os profissionais envolvidos no cuidado da paciente”, lembra o professor. Mas também foi necessário realizar os testes para covid-19 tanto na paciente quanto no doador falecido. Para alívio de todos, os resultados deram negativo.

Sara Maria Alves Casimiro – Foto: Arquivo pessoal

A cirurgia foi no dia 21 de maio, durou entre cinco e seis horas e foi considerada tranquila. A estudante ficou dois meses internada no HC-FMRP, sendo 30 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Quando acordou, outra preocupação assombrava seu dia a dia,  o medo de ser contaminada pelo novo coronavírus. Foram quatro suspeitas e, em todas, testou negativo.

Sara recebeu alta no dia 11 de julho e, desde então, faz acompanhamento médico duas vezes por semana, além de fisioterapia. Já teve alta da fisioterapia com fonoaudióloga, em que precisou exercitar os músculos da deglutição depois de tanto tempo na UTI sem se alimentar por via oral. Aos poucos, sua rotina volta ao normal.

O sucesso de seu transplante chama a atenção para procedimentos dessa natureza em plena pandemia. O professor Sankarankutty diz que, durante a pandemia, houve queda no número de doação de órgãos e, consequentemente, de transplantes. Essa queda variou de 30% a 70%, dependendo da região do País. Agora a rotina volta a se normalizar gradativamente. Segundo o professor, no HC-FMRP, a situação dos transplantes também está retornando ao normal e espera realizar este ano de 45 a 50 transplantes de fígado, mesmo patamar do ano passado.