Três funcionárias de emissora de TV são mortas a tiros no leste do Afeganistão

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Redação Portal IMPRENSA

Três funcionárias de uma emissora de TV foram mortas a tiros na cidade de Jalalabad, no leste do Afeganistão, na terça-feira, após deixaram o local de trabalho. Nos últimos meses, mulheres profissionais de imprensa têm sido alvo frequente de atentados na região.

Crédito: AP
Afegãos carregam corpo de vítima de ataque

As mulheres trabalhavam na emissora local Enikass TV e tinham entre 18 e 20 anos. Inicialmente cogitou-se que eram jornalistas, mas o diretor do veículo, Zalmai Latifi, disse que elas não tinham formação superior.

As vítimas foram mortas em dois ataques distintos, que deixaram outras duas pessoas feridas. “Elas estavam voltando do escritório para casa a pé quando foram baleadas”, disse.

Segundo o chefe da polícia de Nangarhar, Juma Gul Hemat, um suspeito armado foi levado sob custódia após os tiroteios, mas as autoridades ainda procuram outros culpados. “Nós o prendemos enquanto ele tentava escapar”, disse Hemat. “Ele admitiu que executou o ataque. Ele é membro do Taleban”.

No entanto, o porta-voz do Taleban, Zabihullah Mujahid, negou que o grupo tenha alguma participação nas mortes.

País violento para jornalistas

Em um comunicado, o presidente Ashraf Ghani condenou os assassinatos, dizendo que “os ataques a compatriotas inocentes, especialmente mulheres, são contrários aos ensinamentos do Islã, da cultura afegã e do espírito de paz”.

Jornalistas, acadêmicos religiosos, ativistas e juízes foram todos alvos de uma recente onda de assassinatos políticos que espalhou o pânico por todo o Afeganistão e forçou muitos a se esconderem  e alguns até fugiram do país.

Em janeiro, Bismellah Adel Aimaq, de 28 anos, editora-chefe da estação de rádio Sada-e-Ghor (Voz de Ghor), foi morta perto da cidade de Firoz Koh, na província de Ghor.

Em dezembro, homens armados mataram Malala Maiwand, uma âncora de notícias em Enikass, e seu motorista em Jalalabad. Um afiliado do grupo armado ISIL (ISIS), com base no leste do Afeganistão, assumiu a responsabilidade pelo assassinato.

O Comitê de Segurança de Jornalistas Afegãos emitiu um comunicado condenando as mortes e criticando as investigações do governo em relação aos assassinatos anteriores de profissionais da categoria. Ele disse que as investigações de ataques passados “não são nada satisfatórias, algo que precisa ser mudado”.

O Afeganistão é considerado um dos países mais perigosos do mundo para os trabalhadores da mídia. Os assassinatos de terça-feira elevaram para 15 o número de profissionais da área mortos no país nos últimos seis meses.

As mortes aumentaram desde que as negociações de paz foram iniciadas no ano passado entre o governo afegão e o Taleban – a última tentativa de encerrar décadas de conflito.

“Esses ataques têm como objetivo intimidar, amedrontar os repórteres. Os culpados esperam sufocar a liberdade de expressão em um país onde a mídia floresceu nos últimos 20 anos. Isso não pode ser tolerado”, disse a embaixada dos Estados Unidos em Cabul em um comunicado.