União Europeia, França, Espanha e Colômbia exigem liberdade de jornalistas detidos na Venezuela

Entre os estrangeiros detidos, estão um espanhol, dois colombianos e dois franceses. Na quarta-feira, o presidente chileno Sebastián Piñera pediu liberdade de dois chilenos, que foram deportados.

Por G1

Venezuelanos protestam nesta quarta-feira (30) contra o governo de Nicolás Maduro na praça Altamira, em Caracas — Foto: Yuri Cortez/ AFP

A União Europeia e os governos da Espanha, da França e da Colômbia exigiram nesta quinta-feira (31) a libertação imediata de jornalistas de diferentes nacionalidades que foram presos na Venezuela. Entre eles, estão dois franceses, dois colombianos e um espanhol.

Os franceses foram presos na quarta-feira (30) perto do Palácio de Miraflores. Os dois colombianos e o espanhol, parte de uma equipe da agência Efe junto com um motorista venezuelano, foram presos na noite de quarta.

Na terça, a organização Repórteres Sem Fronteiras denunciou em um comunicado “atos de violência das forças de ordem contra jornalistas” locais e estrangeiros que cobrem a onda de protestos da oposição vivida no país desde 21 de janeiro.

Vários jornalistas estrangeiros foram presos ou deportados nos últimos anos por não terem permissão para trabalhar na Venezuela.

Chilenos deportados

Na quarta, dois jornalistas chilenos e dois venezuelanos foram detidos perto do Palácio de Miraflores, quando cobriam uma vigília em defesa do presidente Nicolás Maduro. Os venezuelanos foram liberados depois de 10 horas, e os chilenos foram deportados após 14 horas.

O chanceler chileno, Roberto Ampuero, classificou como “inexplicáveis” as 14 horas de prisão. “Isso é o que fazem as ditaduras: pisotear a liberdade da imprensa e amordaçar a liberdade com a violência”, declarou pelo Twitter.

Antes da deportação, enquanto ainda estavam detidos, o presidente do Chile, Sebastián Piñera, pediu “a imediata libertação dos jornalistas” do canal público chileno TVN e criticou a falta de liberdade de imprensa na Venezuela.

Equipe da Efe

A agência Efe informou que teve três de seus profissionais detidos na quarta-feira (30): o fotógrafo Leonardo Muñoz (colombiano), os jornalistas Gonzalo Domínguez Loeda (espanhol) e a Maurén Barriga Vargas (colombiana).

De acordo com a agência, os três jornalistas fazem parte de uma equipe que viajou desde Bogotá para cobrir a crise da Venezuela. Eles foram detidos pelo Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin) no hotel onde estavam hospedados. O venezuelano José Salas, que prestava serviço de motorista, também foi detido.

O Sindicato dos trabalhadores da imprensa, principal formação sindical dos jornalistas da Venezuela, informou que os jornalistas serão enviados para seus países.

Franceses

Dois repórteres do popular programa francês de televisão Quotidien também estão presos. De acordo com o Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa (SNTP, em espanhol) da Venezuela, eles foram detidos junto com o seu produtor no país, Rolando Rodríguez.

Segundo a diplomacia francesa, os jornalistas Pierre Caillet e Baptiste des Monstiers, repórteres do programa de televisão Quotidien, foram detidos quando filmavam o palácio presidencial venezuelano.

De acordo com o Sindicato dos trabalhadores da imprensa, principal formação sindical dos jornalistas da Venezuela, os franceses estavam cobrindo uma manifestação de apoio ao presidente Nicolás Maduro.

Além dos dois repórteres do canal de televisão TMC, um produtor local, Rolando Rodriguez, foi detido. “Desde então, nós perdemos o contato com eles”, informou o sindicato.

Dia de protestos

Apoiador de Juan Guaidó segura bandeira da Venezuela durante protesto contra do governo de Nicolás Maduro nesta quarta-feira (30) em Caracas — Foto: Manaure Quintero/Reuters
Apoiador de Juan Guaidó segura bandeira da Venezuela durante protesto contra do governo de Nicolás Maduro nesta quarta-feira (30) em Caracas — Foto: Manaure Quintero/Reuters

Na quarta-feira, em novo dia de protestos, a oposição saiu às ruas em Caracas e várias cidades no interior do país para exigir a saída de Nicolás Maduro. Autoproclamado presidente interino, o líder opositor Juan Guaidó comandou mobilização, que pedia também para que as forças armadas do país não reconheçam mais o comando do líder chavista.

Antes da mobilização, Guaidó, que lidera o Parlamento de maioria opositora, recebeu um telefonema do presidente americano, Donald Trump, que expressou “completo apoio” ao seu movimento.

A Alta Representante para a Política Externa da União Europeia, Federica Mogherini, declarou durante coletiva de imprensa em Bucareste, na Romênia: “Há um claro apelo da minha parte para a libertação imediata”.

Em comunicado, o ministério das Relações Exteriores da Espanha criticou as autoridades venezuelanas:

“O governo exige novamente das autoridades venezuelanas o respeito ao Estado de Direito, aos direitos humanos e às liberdades fundamentais, das quais a liberdade de imprensa é um elemento central”, afirma o comunicado.

O ministro das Relações Exteriores da Colômbia, Carlos Holmes Trujillo, exigiu a libertação imediata dos três jornalistas da agência de notícias Efe.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da França, Agnès von der Mühll, afirmou que governo francês exige a libertação dos jornalistas e que está fazendo todo o esforço possível para que isso aconteça a o mais rápido possível.

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Lile Corrêa

Jornalista, Radialista e Recordista Bi-Mundial incluso no Guinness Book